Em crise financeira, Correios leiloam dez prédios históricos para abater dívidas
A estatal busca reduzir custos com a manutenção de imóveis ociosos e gerar receita para aumentar a competitividade no setor logístico e de e-commerce

Para enfrentar uma grave crise financeira e reestruturar seu orçamento, os Correios realizam no próximo dia 24 de setembro um leilão de 11 ativos imobiliários, que incluem dez prédios comerciais históricos e um terreno, distribuídos por cinco estados brasileiros. A venda dos imóveis faz parte de um plano estratégico da estatal para cortar gastos pesados de manutenção com estruturas ociosas, estancar déficits e gerar receita extra para fortalecer a modernização e a competitividade da empresa frente às pressões do setor logístico e de comércio eletrônico.
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Os lances iniciais da disputa variam entre 172 mil e 158 milhões de reais. O lote de maior valor da rodada é o Complexo Baumann, localizado na Vila Leopoldina, na capital paulista, avaliado inicialmente em 158,8 milhões de reais. O espaço possui 22 mil metros quadrados de terreno e conta com um prédio que inclui até heliponto. Outro grande destaque do certame é um edifício histórico erguido em 1878, durante o Segundo Reinado, no centro do Rio de Janeiro. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o prédio com cinco pavimentos abrigou a antiga sede nacional do Correio Geral e tem lance inicial estipulado em 53,5 milhões de reais.
A lista de propriedades ofertadas também engloba um galpão comercial no centro de Niterói, no Rio de Janeiro, com valor de avaliação de 2,3 milhões de reais, e um prédio de quatro pavimentos no Setor Comercial Sul, no Distrito Federal, avaliado em 6,1 milhões de reais. O leilão conta ainda com o repasse de dois terrenos urbanos desocupados que somam mais de 600 metros quadrados no bairro São Geraldo, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com preço inicial de 1,4 milhão de reais. De acordo com os Correios, o repasse desses bens à iniciativa privada elimina as despesas recorrentes com tributos e segurança, injetando recursos imediatos no caixa.
Para atrair investidores e viabilizar as negociações, o leilão oferece facilidades de pagamento. Os arrematantes poderão optar pela quitação à vista em até 60 dias corridos, sem reajuste para pagamentos feitos no primeiro mês, ou pelo financiamento bancário com prazo idêntico para a contratação do crédito. O uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também é aceito como complemento, desde que respeitadas as normas vigentes. Há ainda a possibilidade de parcelar a compra em até 12 vezes mensais e sucessivas, modalidade que exige uma entrada mínima de 20% do valor da arrematação, com o saldo restante corrigido por juros atrelados ao CDI.
