Dia de Luta dos Trabalhadores do Campo expõe persistência do trabalho escravo e informalidade
Mesmo com alta mecanização, setor rural ainda registra casos de servidão por dívida e alojamentos precários
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A precarização do trabalho rural e a persistência do trabalho análogo à escravidão continuam sendo os principais desafios para a garantia de direitos no campo brasileiro. Em entrevista a auditora-fiscal Alessandra Bambirra destacou que, apesar da modernização tecnológica no setor, o trabalhador rural permanece em desvantagem em relação ao urbano no que diz respeito à educação, acesso à informação e garantias previdenciárias.
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A discrepância socioeconômica é evidente na convivência entre propriedades altamente produtivas e fazendas onde são encontradas situações degradantes. No meio rural, as irregularidades mais graves envolvem jornadas exaustivas, servidão por dívida e o uso de intermediários, conhecidos como "gatos", para o aliciamento de trabalhadores em regiões vulneráveis. Minas Gerais, estado pioneiro no combate a essas práticas, realizou 783 ações fiscais em 2025, identificando mais de dois mil trabalhadores em situação irregular e resgatando dezenas de pessoas em lavouras de café e carvoarias.
Para enfrentar o problema, a auditoria-fiscal defende uma mudança de estratégia que vá além da aplicação de multas, focando na responsabilização de toda a cadeia produtiva. A proposta é que grandes empresas de setores como café, cana e cacau adotem certificações que atestem não apenas a qualidade do produto, mas também um processo de produção livre de trabalho infantil e condições desumanas. Segundo Alessandra, o engajamento econômico das marcas é fundamental para que elas se responsabilizem pelas condições de trabalho em seus fornecedores.
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Embora o Brasil enfrente barreiras estruturais e falta de pessoal para fiscalização, o modelo de Previdência Rural do país é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como referência regional. O sistema assegura proteção social a agricultores familiares e trabalhadores de subsistência, servindo como um mecanismo de redução da invisibilidade institucional no campo. Contudo, especialistas reforçam que o equilíbrio da cadeia depende de ações integradas que garantam saúde, infraestrutura e segurança jurídica para o elo mais frágil da produção de alimentos.
Com informações de Agência Brasil