Coreia do Sul ordena primeiro 'monge robô' com regras adaptadas para IA
Chamado de Gabi, o robô de 1,30 metro participou de cerimônia no templo Jogye, em Seul
Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline
A interseção entre tecnologia e religião marcou uma cerimônia recente em Seul, na Coreia do Sul, com a apresentação de Gabi, o primeiro "monge robô" budista do país. O humanoide foi consagrado no templo Jogye dias antes das celebrações do aniversário de Buda. O objetivo da iniciativa, segundo os líderes religiosos, é estimular o debate sobre a convivência entre seres humanos e máquinas em um cenário de rápidos avanços da inteligência artificial.
📰 LEIA MAIS: Lutador de MMA "Rogério Cachorro Louco" é morto a tiros após perseguição
Com 1,30 metro de altura e vestido com sapatos pretos e trajes tradicionais em tons de cinza e marrom, Gabi foi programado para reproduzir gestos típicos dos religiosos, como juntar as mãos em reverência e curvar-se diante dos monges mais velhos. Durante o rito de preceitos — cerimônia tradicional para quem ingressa no caminho religioso —, a máquina chegou a responder afirmativamente ao ser questionada se dedicaria sua existência ao budismo. Na ocasião, o robô recebeu um rosário de 108 contas e, no lugar da marca de queimadura simbólica comum ao rito, foi utilizado um adesivo.
Como se trata de um equipamento tecnológico, a ordem budista estabeleceu cinco preceitos exclusivos para o humanoide: respeitar a vida, não danificar outros robôs ou objetos, seguir ordens humanas, não enganar pessoas e economizar energia. A elaboração dessas regras contou com a consultoria de plataformas de inteligência artificial, como o Gemini e o ChatGPT. O nome Gabi, segundo a ordem Jogye, que é a principal vertente do budismo no país, faz referência a Siddhartha Gautama, o fundador do budismo, e também remete à palavra coreana para misericórdia e compaixão.
O projeto visa naturalizar a integração tecnológica na sociedade. De acordo com o monge Seong Won, a experiência propõe uma reflexão sobre a coexistência futura entre pessoas e robôs, mesmo que a ideia possa parecer inusitada no presente. O humanoide fará sua próxima aparição pública ainda neste mês, durante o tradicional festival das lanternas Yeondeunghoe, onde participará das festividades acompanhado de outros três robôs budistas, batizados de Seokja, Mohee e Nisa.