Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Cotidiano
publicidade
VÁRIAS VÍTIMAS

Casal de pastores estuprava menores e distorcia trechos da Bíblia para enganar vítimas

Eles usavam a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança de adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional e económica

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Casal de pastores estuprava menores e distorcia trechos da Bíblia para enganar vítimas
Autor O homem, de 32 anos, e a mulher, 24, foram indiciados pela Polícia Civil de Roraima (PCRR) por estupro de vulnerável, importunação sexual, fraude processual e outros crimes - Foto: Reprodução

Pelo menos seis adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, foram vítimas de um casal de pastores evangélicos que usava a liderança religiosa para cometer abusos sexuais em Boa Vista (RR). O homem, de 32 anos, e a mulher, 24, foram indiciados pela Polícia Civil de Roraima (PCRR) por estupro de vulnerável, importunação sexual, fraude processual e outros crimes, e estão foragidos desde que a Justiça decretou a prisão preventiva.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

📰 LEIA MAIS: Atentado a tiros atinge 5 pessoas em Campo Mourão; 2 mortes confirmadas

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), tiveram início em abril deste ano, após duas adolescentes procurarem espontaneamente a delegacia. Em cerca de 50 dias, os policiais ouviram 41 pessoas e identificaram outras vítimas. Ao todo, a polícia afirma ter identificado 11 adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, que apresentavam indícios de terem sido vítimas, embora cinco tenham optado por não prestar depoimento oficial.

Modus operandi: manipulação através da fé, punição e dinheiro

O casal, que liderava uma igreja em Boa Vista há cinco anos e era responsável por batismos e cultos, utilizava a posição de liderança religiosa para conquistar a confiança de adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional e económica. A pastora realizava a aproximação inicial com as vítimas, enquanto o pastor usava interpretações distorcidas da Bíblia para convencê-las de que os atos sexuais tinham finalidade espiritual, chamando o crime de "missão divina".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

📲 Clique aqui e receba as notícias do grupo do TNOnline no WhatsApp

"O ambiente religioso era utilizado de forma deliberada como instrumento de aproximação e controle. Eles se aproveitavam da fé como mecanismo de manipulação e utilizavam o temor reverencial para manter as vítimas em silêncio", afirmou a delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso.

O medo de denunciar era sustentado por normas internas da igreja, que previam punições e expulsão de membros que questionassem a autoridade pastoral. Além disso, o casal oferecia dinheiro em espécie, transferências via Pix e outras vantagens, como jantares, para manter as adolescentes em silêncio. O pastor também oferecia cargos dentro da igreja, como diaconisa e pastora, para recompensar vítimas e testemunhas e reforçar o controle sobre elas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Abusos se repetiram por vários anos e até outros homens teriam participado

As investigações apontam que algumas adolescentes permaneceram sob influência do casal durante anos. Em um dos casos, segundo a Polícia Civil, os abusos evoluíram para violência sexual praticada também por outros homens.

Em um dos relatos registrados em boletim de ocorrência, uma vítima de 14 anos contou que o pastor a levou para uma rua pouco movimentada e fez uma "brincadeira de adivinhação da cor da roupa íntima". Ela disse que não se sentia confortável, mas o pastor pediu que mostrasse o sutiã e, em seguida, começou a se masturbar.

Em outra ocasião, uma vítima contou que, quando tinha 17 anos, o pastor lhe deu uma carona, parou em uma rua e disse que faria uma "brincadeira" de adivinhar e mostrar as cores das peças íntimas. Ao negar participar, ele ficou irritado. Em seguida, exibiu vídeos em que aparecia mantendo relações sexuais com a própria esposa e fez uma transferência via Pix para a vítima.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pastores tentaram ocultar provas excluindo email e destruindo aparelho celular

Durante a investigação, o casal tentou destruir provas. A pastora orientou uma vítima de 18 anos a excluir uma conta de e-mail que armazenava cerca de 14 mil fotos e vídeos. O pastor também ordenou que uma jovem de 20 anos sumisse com o celular dele, com a ajuda de uma adolescente e de uma das vítimas. O aparelho foi destruído com uma marreta. Para encobrir o ato, orientou uma das vítimas a registrar uma falsa comunicação de perda do dispositivo.

A jovem de 20 anos, que também era a tesoureira da igreja, foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.

Após a decretação da prisão preventiva, o casal fugiu.Investigações apontam que os pastores estariam em Manaus (AM), cidade onde o pastor nasceu e tem familiares. "O paradeiro deles é incerto. Nós não sabemos onde eles estão, porque senão já os teríamos prendido. Os dois pastores estão na condição de foragidos", explicou a secretária de Segurança Pública de Roraima, delegada Eliane Gonçalves.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Casal responde por vários crimes

O pastor foi indiciado por estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. A pastora responderá por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.

Em nota, a defesa do casal informou que eles são inocentes, primários, têm bons antecedentes e que nunca responderam a processos criminais. "As práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, o que afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes praticados", detalhou a polícia.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Estadual e ao Poder Judiciário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Cotidiano

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV