Professora é afastada após suspeita de dar Rivotril à criança de CMEI em Arapongas (PR)
Prefeitura abriu processo administrativo e Polícia Civil investiga a denúncia envolvendo menina do berçário/infantil
TNOnline TV
Uma professora concursada da rede municipal de Arapongas (PR) foi afastada preventivamente de suas funções após ser denunciada por dar remédio de tarja preta para uma criança de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI). A suspeita é de que a educadora tenha administrado clonazepam, popularmente conhecido como Rivotril, para fazer uma menina dormir. A idade da aluna não foi informada, mas, segundo a Prefeitura de Arapongas, ela era do berçário/infantil, que atende crianças de 6 meses a 1 ano e 11meses. A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) abriu um inquérito para investigar o caso.
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O alerta foi dado na tarde da última quarta-feira (28) pela diretora da unidade e por outra professora do CMEI. Elas desconfiaram das atitudes da educadora e do comportamento de irritabilidade apresentado pela criança, até que conseguiram flagrar a ação. O nome da instituição de ensino está sendo mantido em sigilo para preservar a identidade da aluna, que estudava em uma sala com mais sete crianças.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a professora foi flagrada em gravação de uma câmera de monitoramento do centro infantil. A imagem mostra ela ministrando a medicação a uma criança. Uma outra estava ao lado, mas não ficou comprovado que ela também recebeu o clonazepam.

O remédio é um medicamento psicotrópico da classe dos benzodiazepínicos. O clonazepam atua no sistema nervoso central com efeito ansiolítico, anticonvulsivante, sedativo e relaxante muscular. No Brasil, o remédio exige prescrição e acompanhamento médico rigoroso, sendo classificado como medicamento de tarja preta (receituário azul tipo B1).
O prefeito de Arapongas, Rafael Cita (PSD), gravou um pronunciamento nas redes sociais confirmando o episódio e detalhando a ação do Executivo em relação ao caso. "Chegou ao meu conhecimento que a professora teria dado remédio para duas crianças dormirem. Eu determinei imediatamente o afastamento dela. Eu determinei que fosse feito o boletim de ocorrência na delegacia. A delegacia já abriu o inquérito e ela já foi afastada no mesmo momento em que a denúncia chegou", afirmou, citando a suspeita inicial de serem duas crianças medicadas.
O prefeito classificou a situação como um "ato isolado", lembrando que a cidade conta com mais de mil profissionais da educação, e não escondeu a indignação. "Eu lamento muito, estou abismado com essa situação, mas as providências que me cabem enquanto gestor público foram tomadas com muito rigor. Agora também foi aberto o procedimento administrativo para apurar a conduta da professora, que pode gerar a demissão dela."
Segundo o secretário municipal de Educação, Padre Lino Batista, logo após a denúncia e a formalização do Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil, além da notificação ao Conselho Tutelar, os pais das crianças foram convocados pela Secretaria de Educação para uma reunião. Dos oito responsáveis, sete compareceram — um faltou por motivos de saúde.
Eles foram informados sobre o ocorrido e orientados pela prefeitura a realizarem exames médicos nas crianças. Pelo menos uma menina foi comprovadamente medicada pela gravação na câmera e todas passaram por atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS). Elas passam bem.
Em sua defesa inicial perante a Secretaria de Educação, a professora negou as acusações. A administração municipal ressaltou que sua atuação se restringe à esfera administrativa e ao afastamento preventivo da servidora enquanto durarem as apurações. O possível processo criminal pelo uso do medicamento restrito em menores de idade ficará a cargo da Polícia Civil do Paraná (PC-PR).
"A gente lamenta e se solidariza pelos pais, que esperam que os filhos sejam bem-cuidados - e tem sido assim nos nossos CMEis. Esse foi um caso isolado", explica Lino Batista. Ele assinala que a prescrição de remédios é proibida nos estabelecimentos de ensino e a suspeita é que a professora tenha trazido de casa o medicamento.
INVESTIGAÇÃO
A delegada Camilla Costa Baptista, de Arapongas, afirmou que a denúncia foi encaminhada à PC-PR com dois vídeos que teriam sido gravados na sala de aula. Ela conta que a gravação mostra que a investigada supostamente utiliza uma colher com um líquido para inserir na boca das crianças. "Esse líquido a gente suspeita que seja o clonazepam porque, dentro da bolsa dessa professora, só havia esse remédio em forma líquida", assinala.
Ela conta que a denúncia foi apresentada por outras professoras, que perceberam um quadro de sonolência ou irritação na hora da soneca das crianças. A suspeita é de que mais de uma tenha recebido a medicação.
"Isso começou a despertar uma desconfiança por parte delas. Foi a partir desse momento que elas conseguiram produzir esse vídeo e demonstrar que havia alguma coisa acontecendo. Desde que essa denúncia chegou na nossa delegacia, nós iniciamos todo o trâmite de investigação e, principalmente, de proteção dessas crianças. Foram acionadas as mães e os responsáveis vieram até a delegacia. Nós já colhemos as declarações de todas as mães. É uma declaração meio uníssona no sentido de que perceberam, sim, alteração na rotina de sono dos bebês. Às vezes chegavam da aula dormindo, não conseguiam dormir no período da noite, então havia uma alteração de sono e de estresse na rotina das crianças, algo que não era comum. Essa mudança de comportamento é observada há mais ou menos três meses na maioria delas", diz.
A delegada afirma que as crianças serão submetidas ao exame toxicológico para saber se foi uma criança ou se foram as sete crianças submetidas à ingestão desse medicamento. "Nós organizamos no Pronto Atendimento Infantil para que fosse colhido da maneira mais humanizada possível esse exame. Contamos com a participação da Polícia Científica e hoje (sexta-feira) então foi coletado esse exame para a gente conseguir atestar se de fato houve ingestão dessas crianças desse medicamento clonazepam", assinalou.
