Polícia Civil de Arapongas investiga falso roubo de carga de óleo vegetal
Motorista simulou assalto com refém, mas câmeras flagraram o veículo em balança horas após a falsa ocorrência

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Arapongas, com apoio do serviço reservado da Polícia Militar de Apucarana e Arapongas, desarticulou uma farsa montada para simular o roubo de uma carga de óleo vegetal. Duas pessoas foram conduzidas à delegacia.
O caso teve início após o motorista de um caminhão bitrem registrar um boletim de ocorrência afirmando ter sido vítima de assalto na rodovia entre Sabáudia e Arapongas. Na denúncia, o condutor alegou ter parado por problemas mecânicos por volta das 6h da manhã do dia 10, quando teria sido rendido por criminosos em um veículo e mantido refém até às 18h, sendo libertado na cidade de Marilândia do Sul.
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No entanto, o trabalho investigativo da equipe policial desmentiu a versão apresentada. Mesmo com o rastreador do veículo desligado, os policiais conseguiram refazer a rota percorrida pelo caminhão e localizaram imagens de câmeras de segurança de uma empresa e de uma balança em Apucarana.
De acordo com o delegado Saulo de Tarso Baptista, as imagens comprovaram a participação direta do próprio condutor na fraude. "A gente se deslocou até a empresa, essa balança, conseguimos câmeras de segurança e conseguimos confirmar que três horas depois do suposto roubo, o próprio motorista, noticiante do fato, estava no local. Ou seja, é um registro de ocorrência fantasioso. Ele já vai responder pelo crime de falsa comunicação de crime e também, possivelmente, o crime de estelionato, dentre outros", explicou o delegado.
A apuração apontou que a carreta foi levada até o galpão da empresa investigada em Apucarana para que a carga de óleo vegetal fosse descarregada. Em seguida, o veículo foi abandonado em outro ponto para simular o roubo e tentar dar veracidade à falsa história contada aos policiais.
Durante a abordagem no local do transbordo, as equipes policiais constataram que outro caminhão de uma empresa lesada também passava pelo mesmo processo de retirada do insumo. A suspeita das autoridades é de que o local funcionava como ponto de receptação, adulteração e revenda ilegal do produto.
"Nós acreditamos que eles, além da receptação, estavam adulterando algum tipo de insumo e revendendo", destacou o delegado Saulo.
No momento da ação, duas pessoas foram conduzidas para a delegacia para prestarem esclarecimentos. "O motorista do caminhão que estava sendo transbordado no momento da nossa chegada, ele foi conduzido — ele não soube explicar o motivo de estar ali —, e também o irmão do proprietário, que disse que não era proprietário, mas tudo indica que ele é sócio desse proprietário final de todo esse material", detalhou o delegado.
O proprietário da empresa onde o óleo vegetal estava armazenado não se apresentou no local e não foi comprovada a origem legal da mercadoria encontrada. Todo o material apreendido e os veículos permanecem à disposição da Justiça no pátio da delegacia, enquanto a Polícia Civil trabalha na lavratura do auto de prisão em flagrante e no aprofundamento das investigações.
