Mãe suspeita de matar filhos procurou Conselho Tutelar apenas para vaga em CMEI de Arapongas
Segundo o presidente do órgão, mulher buscou orientação para conseguir uma vaga na educação infantil para a filha mais nova

A mulher suspeita de matar os dois filhos em Arapongas procurou o Conselho Tutelar do município entre 15 e 20 dias antes do crime. A informação foi confirmada pelo presidente do órgão, Edmilson Vasconcelos. Na ocasião, a mãe buscava orientação para conseguir uma vaga em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) para a filha mais nova, de aproximadamente um ano.
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Segundo Edmilson, o atendimento foi realizado por outra conselheira tutelar. A mulher havia se mudado recentemente para Arapongas e procurou o órgão para solicitar auxílio na busca por uma vaga para a bebê. O filho mais velho, de cinco anos, já estava frequentando a escola.
Como a criança mais nova vinha de outra cidade, a vaga em CMEI não poderia ser transferida automaticamente. Por isso, a conselheira orientou a mãe a realizar um cadastro junto à Secretaria Municipal de Educação, por meio do programa Voucher, disponibilizado pelo município. "Essa mãe compareceu, sim, aqui no Conselho Tutelar, porém foi uma outra conselheira que a atendeu. Ela veio aqui em busca de uma vaga de CMEI para a bebezinha", explicou Edmilson.
De acordo com o presidente, a conselheira também entrou em contato com uma representante da Educação para informar que a mulher procuraria o setor com a documentação necessária. Após a realização do cadastro, o Conselho Tutelar poderia formalizar a requisição para auxiliar na obtenção da vaga.
Edmilson explicou que a mãe informou que retornaria para dar continuidade ao procedimento, mas o atendimento não avançou além das orientações iniciais. "Foi feita a orientação, mas ela precisava fazer o cadastro primeiro, para depois a gente fazer a requisição", afirmou.
O presidente ressaltou que a procura pelo Conselho Tutelar teve como único objetivo a busca por uma vaga na educação infantil para a filha mais nova. Segundo ele, não houve, naquele atendimento, outras solicitações relacionadas à situação familiar das crianças.
Morte das crianças
O caso aconteceu na quarta-feira (4), quando os corpos de um menino de cinco anos e de uma menina de aproximadamente um ano foram encontrados dentro de um carro nas proximidades da ponte entre Itambaracá e Bandeirantes, no Norte Pioneiro do Paraná.
A mãe foi localizada e presa durante a tarde, em um pesque-pague na zona rural de Itambaracá. Em conversa com policiais, ela confessou ter asfixiado os filhos com as mãos na residência onde morava, em Arapongas, antes de transportar os corpos até a região onde foram encontrados.
Durante a abordagem, a mulher afirmou que agiu em meio a um suposto surto relacionado a conflitos judiciais e a denúncias que teria feito contra o ex-marido. Ela também declarou que temia que o pai das crianças tivesse acesso aos filhos. "Minha intenção não era machucar. Eu não fiz para machucar elas. Eu não aguentava mais", disse a mulher aos policiais.
De acordo com o delegado Denner Roque, a suspeita foi autuada em flagrante, e a Polícia Civil representou pela conversão da prisão em preventiva. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para exames necroscópicos, que devem apontar oficialmente as causas das mortes.
A investigação também reúne mensagens de áudio e outros elementos para esclarecer as circunstâncias do crime e subsidiar o inquérito policial.
