Araponguense congela óvulos após descobrir câncer

Receber um diagnóstico de câncer pode ser interpretado como uma sentença de morte para muitos pacientes. Iniciar o tratamento o mais rápido possível, com o único objetivo de sobreviver, é a meta de quem luta pela vida. Sonhos e planejamento futuros ficam em segundo plano. O tumor de mama é um tipo de câncer com incidência cada vez maior entre as jovens mulheres, e em caso de sucesso no tratamento para cura, a paciente ainda terá que conviver com um difícil efeito colateral: a infertilidade. A quimioterapia e a radioterapia podem afetar diretamente a ovulação e colocam em risco o sonho de ser mãe. Neste cenário, o congelamento de óvulos pré-quimioterapia surge como uma opção para seguir em frente, ter esperança no futuro e serve até de motivação na luta travada contra o câncer.
A dentista Lorena Gonçalves Alexandrino, de Arapongas, foi diagnosticada com câncer de mama em novembro de 2015, aos 25 anos. Os exames apontavam ainda a probabilidade maior de que fosse um tumor agressivo. Na luta pela vida, Lorena relata que encontrou esperança e motivação ao receber a notícia que conseguiria realizar a preservação da fertilidade antes de iniciar o tratamento contra o câncer para um dia realizar o sonho da maternidade.
“No início fiquei um pouco resistente, pois não queria perder tempo para começar a quimioterapia, mas o oncologista me liberou para a captação dos óvulos. Sempre gostei de crianças e quero ter filhos. A esperança de pensar no futuro me ajudou muito naquele momento difícil. Foi uma notícia feliz, no meio da tristeza”, recordou.
Depois de superar os obstáculos com o apoio do namorado e vencer a batalha contra o câncer, eles ficaram noivos e a história terá um final feliz, com o casamento no próximo dia 25, em pleno Outubro Rosa, época em que várias campanhas de prevenção contra o câncer de mama são realizadas em todo o mundo. Melhor ainda que o final feliz é a perspectiva de começar a construção de uma nova história com a nova família. Lorena poderá voltar ao tratamento de reprodução assistida com os óvulos captados antes da quimioterapia. “A ideia de ter filhos ficou mais real com o casamento”, comemora.
CONGELAMENTO DE ÓVULOS
Segundo o médico especialista em reprodução humana e responsável pelo tratamento de Lorena, Dr. Vinícius Stawinski, a captação dos óvulos pode ser feita aproximadamente em 10-12 dias antes do início da quimioterapia. “A captação dos óvulos é realizada o mais rápido possível para não prejudicar e atrasar o tratamento contra o câncer. A quimioterapia pode ter efeitos colaterais, pois dependendo do medicamento, atua não só no tumor, mas em outras células que se multiplicam rápido, por isso, a pessoa pode sofrer com anemia, baixa imunidade, queda de cabelo e outros sintomas. A medicação quimioterápica também atua nas células germinativas. Assim, existe o risco de infertilidade”, explicou.
De acordo com o médico, os óvulos sadios captados antes do tratamento do câncer serão utilizados para fertilização in vitro, em momento oportuno quando a paciente desejar engravidar. “Se a mulher não fez o congelamento dos óvulos antes da quimioterapia, restará a opção da reprodução assistida com a utilização de óvulos doados. Quando ela for engravidar, ela poderá utilizar óvulos de uma doadora anônima”, acrescentou.
