Volta às aulas é marcada por protestos em Arapongas

A volta às aulas foi marcada por novo protesto contra o fechamento de duas escolas rurais de Arapongas. Ontem, pais e alunos da Escola Municipal Rocha Pombo, na Gleba Orle, se reuniram em frente à instituição de ensino, mostrando resistência à decisão da Secretaria Municipal de Educação. O mesmo ocorreu na Escola Municipal João XXIII, localizada no Novo Mundo. As manifestações fizeram a secretaria reavaliar questão durante reunião com o Ministério Público, na tarde de ontem. A decisão final será divulgada amanhã.
De um lado, a secretaria argumenta que o funcionamento das escolas inviabiliza a inclusão educacional e social das crianças, pelo número reduzido de alunos. Juntas, as escolas não somam 50 estudantes. Do outro, pais reclamam das dificuldades que terão de enfrentar para manter seus filhos na escola. O socorrista Fernando Tizzo, 32 anos, pai de dois alunos, disse que não assinou a transferência de seus filhos. “Não assinamos nenhum documento”, afirma.
Contudo, a coordenadora de educação Edna Donizete Dias de Andrade, informa que todos os alunos da escola rural estão matriculados na Escola Municipal Nereide de Souza Camargo, na área urbana do município. “Os alunos já estão devidamente matriculados e toda a estrutura necessária, como o transporte, foi providenciada”, completa.
A manifestação levantou questões culturais que envolvem a instituição de ensino. “Queremos manter nossas crianças no meio rural, próximo aos nossos costumes. A escola é o coração da comunidade onde são realizadas festas juninas, apresentações entre outras festividades da gleba. Isso tudo há mais de 70 anos. Se fecharem a escola vão acabar com a nossa comunidade”, enfatiza a agricultora Maria de Fátima Paggi.
No entanto, a comunidade considera a distância como o principal obstáculo. Os alunos terão de percorrer quase 20 quilômetros todos os dias para chegar até a escola onde estão matriculados.
Na semana passada, o MP emitiu recomendação administrativa à secretaria para manter as escolas em funcionamento. Ontem, em virtude dos protestos, a secretaria decidiu reavaliar a situação em reunião com o Conselho Tutelar e MP. Os alunos não participarão das aulas até amanhã, quando a decisão final será divulgada.
