Servidores de creches lotam a Câmara para protestar
A sessão de segunda-feira à noite da Câmara de Vereadores de Arapongas foi agitada devido à presença de aproximadamente 180 educadores e atendentes que trabalham nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) da cidade.
Os manifestantes foram pedir aos vereadores apoio na continuação da carga horária semanal. Os funcionários questionam o novo modelo de trabalho que será implantado pela Secretaria de Educação no próximo ano.
De acordo com o novo formato, os educadores e atendentes terão que cumprir 36 horas de trabalho por semana, diferente do sistema atual que é de 30 horas. No entanto, a lei que rege o concurso público onde os profissionais foram contratados diz que a carga horária dos funcionários dos CMEIs é de 36 horas semanais.
Os manifestantes disseram saber que a lei pede que se cumpra uma jornada de 36 horas por semana, mas eles alegam que há 16 anos os profissionais dos CMEIs vêm trabalhando 30 horas por semana e que seria inviável a cobrança das seis horas para o setor.
A atendente Sandra Onofre trabalha há 21 anos cuidando de crianças nos centros educacionais. Ela diz que a manifestação é para pedir humanização para o setor. “Sabemos que a Secretaria de Educação está tentando fazer cumprir a lei, mas é desumano trabalharmos mais que 30 horas”, relata. “Nossa briga não é jurídica, mas sim psicológica”, argumenta.
Sandra ressalta ainda que em 1997 tentaram ampliar a carga horária dos trabalhadores dos CMEIs. No entanto, segunda ela, houve um aumento no número de atestados médicos por parte dos profissionais e cerca de 10% pediram demissão, “É desgastante ficar mais tempo cuidando de crianças, elas exigem muito da nossa atenção”, explica.
Para a educadora Aparecida de Fátima Benedito existem outras prioridades que a Secretaria de Educação deveria se preocupar, como a superlotação nos CMEIs. Ela explica que, com a ampliação da carga horária, não há como aumentar a quantidade de crianças atendidas devido à falta de espaço físico.
O presidente do Sindicato dos Servidores Público de Arapongas, Aparecido de Oliveira, disse que, caso não haja acordo com a Prefeitura, os educadores e atendentes podem cruzar os braços e fazer uma greve, “Hoje as creches estão superlotadas. É humanamente impossível exigir que esses profissionais tenham a carga horária ampliada e, se não houver acordo, os profissionais vão fazer greve”, afirma.
CUMPRIMENTO DA LEI
A diretora geral dos CMEIs, Davina Bozina, explica que a Prefeitura só está querendo fazer cumprir a lei, que é cobrar que as 36 horas de trabalho semanais sejam cumpridas. Ela argumenta ainda que, com a ampliação dos horários, mais crianças serão atendidas, já que duas profissionais ficarão em cada sala de aula, “Vamos ampliar o número de crianças atendidas e as educadoras trabalharão em dupla, dividindo assim o trabalho”, conta.
Sobre a manifestação, a diretora diz ser normal a preocupação dos profissionais, já que toda mudança gera estresse. Sobre a possível greve, ela lembra que é direito de todo o trabalhador parar quando não está satisfeito. “Greve é direito do trabalhador, não podemos fazer nada contra isso, cada um que busque o seu direito”, ressalta. “Os profissionais estão assustados com a mudança, mas garanto que tudo que estamos fazendo é para melhorar a qualidade de ensino e de trabalho”.
Hoje a prefeitura conta com 300 educadores e atendentes nos CMEIs. O número será ampliado no ano que vem após o concurso público que será realizado em dezembro oferecendo 45 vagas para o setor.
