PF prende empresário de Arapongas
A Polícia Federal (PF) prendeu ontem um empresário araponguense apontado como integrante de uma organização criminosa que pratica pesca predatória nas bacias dos rios Paraná e Paranapanema. Ao todo, dez mandados de busca e apreensão, sete mandados de prisão e três de condução coercitiva, foram cumpridos pela manhã em Arapongas, Diamante do Norte e Guaíra, durante a operação “Predador”. Segundo a PF, a filha do empresário araponguense, gerente do estabelecimento, também foi conduzida à delegacia para prestar depoimento. Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados por decisão judicial e permanecem presos em Maringá.
De acordo com as investigações, iniciadas em abril deste ano, um grupo realizava pesca ilegal na barragem da Usina de Rosana, região noroeste do Estado de São Paulo. A região é protegida pela Lei de Crimes Ambientais e normativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais renováveis (Ibama) que proíbe a pesca num limite de mil metros da barragem para não interferir na reprodução. Determinação desacatada pelos criminosos que colocavam redes na estrutura, realizando a captura até mesmo durante a Piracema, período de desova.
O coordenador da operação, delegado Alexsander Dias, da PF de Maringá, conta que o pescado era retirado com facilidade, pois a usina não possui escada para ajudar os animais a subirem a barragem. “Os peixes tentam subir o rio para desovar, porém não conseguem e ficam represados próximo as barragens”.
Por noite, segundo ele, retirava-se mais de uma tonelada de pescado. A PF possui registros de que cerca de 10 toneladas de peixes foram capturados em três dias pela quadrilha. Os peixes eram vendidos para empresas em Arapongas e Guaíra. A apuração indica ainda que os proprietários das peixarias sabiam a procedência do produto. Além do empresário araponguense, quatro pescadores acabaram presos em Diamante do Norte. O empresário de Guaíra não foi localizado, entretanto, será indiciado pela PF. Durante a operação também foram apreendidos documentos, 200 quilos de pescado e algumas embarcações.
“Identificamos uma verdadeira organização criminosa com divisão de tarefas além de uma estrutura gigantesca de olheiros incumbidos de detectar qualquer forma de repressão no local”, afirma Dias. Segundo ele as empresas envolvidas “consumiam totalmente” a pesca ilegal, com ciência da origem.
Os suspeitos devem responder por crime ambiental e formação de quadrilha. As investigações continuam para localizar dois foragidos além de identificar os olheiros que acobertavam a prática ilegal.
