Vôlei feminino une esporte, maternidade e superação em Apucarana
Projeto independente supera desafios financeiros e logísticos para transformar o esporte em um pilar de empoderamento
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Para muitas mulheres, equilibrar a maternidade, a vida profissional e o cuidado pessoal é um desafio diário. Em Apucarana um grupo encontrou nas quadras a solução para esse quebra-cabeça. O TDM, uma equipe de voleibol feminino amador, tem se destacado não apenas pelos resultados em competições regionais, mas por atuar como uma rede de apoio e empoderamento para suas atletas.
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Nascido há cerca de quatro anos a partir de um convite para um torneio local do Sesc, o time é formado majoritariamente por mães que trabalham fora. Para garantir a presença de todas nos treinamentos, a organização precisou ser cirúrgica.
Ana Carolina Stoppa, instrutora de Pilates e atleta que ingressou na equipe no ano passado após um encontro casual em um bingo, explica a logística. "O horário do nosso treino é à noite, das oito às dez. Então praticamente todo mundo consegue, Dubasse empenha, se dedica pra ir nesse horário que a gente combinou", afirma a jogadora, ressaltando o reencontro com o esporte: "não imaginei que eu ia gostar de jogar vôlei de novo igual eu tô gostando".
A maternidade é um tema central na rotina da equipe. Jéssica Dubas, uma das atletas do TDM, divide seu tempo entre a administração do time, os treinos a filha de quase três anos e o casamento. Para ela, a rede de apoio domiciliar, principalmente do marido, é o que viabiliza a prática esportiva. "Meu horário de treino é sagrado, enquanto eu estou treinando ele tá cuidando da minha filha, e ele tem os momentos dele, eu tenho os meus momentos e assim a gente vai conciliando", detalha.
Além do aspecto físico, o ambiente atua como uma válvula de escape fundamental para a saúde mental das atletas. "Às vezes você está ali com a pressão do dia a dia, a parte profissional pesa um pouco, aí você chega no horário do treino, você desconta toda aquela pressão na bola", relata Jéssica. "Você descarrega uma energia no treinamento, você, às vezes fala um palavrão, alguma coisa assim, você libera todo aquele estresse, você chega em casa cansada, mas com a mente tranquila".
Desafios de uma equipe independente
Apesar da paixão envolvida, manter uma equipe amadora exige sacrifícios financeiros. Como um time independente, o TDM depende ativamente de patrocinadores para cobrir despesas básicas de infraestrutura, materiais e inscrições em campeonatos de alto custo, como a Liga de Maringá.
Uma das fundadoras da equipe destaca que a superação desses obstáculos só é possível graças à união dentro e fora de quadra. O elo entre as jogadoras transformou o time em uma extensão de suas casas. "A gente trouxe a nossa família pra juntar uma família com o TDM, e aí fica muito mais prazeroso, né?", pontua a fundadora, reforçando que o suporte familiar é o pilar do projeto esportivo. "Porque a família nos dá segurança e alicerce ali. Porque se uma pessoa da família não agrega junto, já afasta a atleta".
Diante das dificuldades de custo e logística, o apoio das empresas locais e das famílias nas arquibancadas consolida o TDM como um projeto de resistência feminina. "Se a gente não tivesse patrocinadores que começaram lá acreditando na gente desde o início, que a gente não tinha material, e a gente foi comprando material", relembra a fundadora, destacando a evolução passo a passo de um time que, nascido de uma amizade, hoje representa a força da mulher apucaranense no esporte regional.
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