Uso de arma branca predomina em mais de 60% dos assassinatos em Apucarana
Novo perfil dos crimes aparece em meio a uma tendência geral de queda dos homicídios e feminicídios na região

Mais de 60% dos assassinatos registrados em Apucarana (PR) neste ano foi cometido com arma branca, uma mudança em relação aos anos anteriores, quando a maior parte dos homicídios era praticada com disparos de arma de fogo. Segundo levantamento da 17ª Subdivisão Policial (SDP), das seis ocorrências letais contabilizadas no município entre janeiro e julho, quatro foram cometidas dessa forma.
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Entre as vítimas está uma mulher assassinada a facadas pelo companheiro em março deste ano, no Jardim Casa Grande,um idoso assassinado em abril no Jardim Ponta Grossa, um homem, de 37 anos, morto a tesouradas no mesmo mês, na Vila Nova e outro, de 44 anos, esfaqueado dentro das instalações do antigo frigorífico, no Parque Bela Vista, em maio.
O novo perfil dos crimes aparece em meio a uma tendência geral de queda da violência letal na região. O número de mortes violentas na área de abrangência da 17ª SDP, que reúne 26 municípios do Vale do Ivaí, recuou 11,7% na comparação entre os primeiros sete meses deste ano e o mesmo período do ano passado, passando de 17 para 15 casos — uma redução superior à média estadual, de 4%. Em Apucarana, sede da subdivisão, o recuo foi ainda mais expressivo: os assassinatos caíram 25%, de oito para seis.
Apesar da queda no total de mortes, o número de homicídios propriamente ditos se manteve estável na região, com 13 registros tanto no ano passado quanto neste ano. Já os feminicídios, assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero, caíram 66,6%, passando de três para um caso. Das 15 mortes violentas contabilizadas na região neste ano, 13 já foram elucidadas pela polícia, o equivalente a 86,6% dos casos. Em Apucarana, o índice de elucidação chegou a 100%, segundo a corporação.
O delegado-chefe da 17ª Subdivisão de Apucarana, Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, afirma que todos os crimes cometidos neste ano na cidade já foram elucidados. Para ele, a queda observada tanto na cidade quanto na região está diretamente ligada ao enfraquecimento de facções criminosas que disputavam o controle da venda de drogas no território.
Essa disputa teve início em 2022, quando o aumento da rivalidade entre grupos ligados ao tráfico provocou uma escalada nos assassinatos. Rodrigues lembra que, no auge do conflito, Apucarana chegou a registrar 27 homicídios em um único ano. O número caiu para 12 no ano seguinte, recuo de 55,5%, resultado atribuído à Operação Baby Shark, que resultou na prisão de envolvidos com o tráfico de drogas na região.
Segundo o delegado, as ações policiais conseguiram desarticular essas organizações criminosas, o que vem sustentando a trajetória de queda dos homicídios desde então. Ele também credita o resultado às investigações conduzidas pela corporação, ao patrulhamento ostensivo e preventivo feito pela Polícia Militar e pela Guarda Civil Municipal, e à atuação conjunta das forças de segurança na região.
