Unindo fotos antigas e IA, "Apucarana Cidade Oculta" ganha nova exibição neste domingo (17)
Cineasta apucaranense conta como produziu filme, feito com imagens de celular e diários do avô; veja entrevista e fotos
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O filme "Apucarana Cidade Oculta", do diretor Semi Salomão, ganha uma segunda sessão neste domingo (17), às 20 horas, no Cine Teatro Fênix. A entrada é gratuita e os convites estão disponíveis para retirada na bilheteria do cinema. O cineasta conta que usou um celular e também inteligência artificial (IA) para contar a história, que apresenta figuras marcantes do município e projeta uma Apucarana futurística. Veja acima
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O filme "Apucarana Cidade Oculta", que combina memória familiar e fatos históricos, estreou em 25 de abril também no Cine Teatro Fênix, com lotação máxima.
No dia 29 de maio, a produção será exibida em Curitiba, na Cinemateca, a partir das 18 horas. A apresentação, que também terá entrada franca, fará parte da programação do Pinhatella Mostra de Cinema Paranaense.
Desenvolvido ao longo de três anos, o longa-metragem não é um filme tradicional. A narrativa percorre Apucarana entre as décadas de 1930 e 1970, misturando fatos históricos, diários pessoais e tecnologia. O roteiro foi construído a partir de ampla pesquisa bibliográfica e dos diários do avô do diretor, Semi Salomão, e atuou como delegado na cidade.
"Ele (avô) escrevia de próprio punho e tinha uma coisa já muito instintiva dele próprio de documentar fatos da vida. Esses fatos pessoais se misturaram com fatos históricos da cidade. Ele foi uma testemunha ocular de tudo isso e eu não quis apenas replicar o que ele escrevia", assinala o diretor.
O filme retrata episódios marcantes do município, como a construção da Catedral Nossa Senhora de Lourdes e a histórica queda da caixa d'água, além de homenagear pioneiros fundamentais para o desenvolvimento local. Estão na tela figuras como Talita Bresolin, que morreu em um acidente de trânsito. Por outro lado, o filme projeta Apucarana no futuro, com direito a capivaras humanoides.
O grande destaque técnico da obra é a convergência entre passado e inovação. O cineasta revelou que cerca de 90% do filme foi gravado utilizando um aparelho celular, apoiado por inteligência artificial para o refinamento do material. A tecnologia foi usada para remasterizar o áudio das captações simples, recriar ângulos de câmera sem a necessidade de refilmagens e, principalmente, dar vida a fotografias antigas. Cruzando fotos, os textos dos diários e gravações de voz da década de 1960 em fitas cassete, a IA conseguiu recriar a voz, os trejeitos e a personalidade do avô do diretor de forma realista.
"E tudo isso foi trazido à vida usando essas ferramentas sofisticadas de inteligência artificial. Eu tive muito cuidado na questão das fotos da cidade. Eu queria trazer a Apucarana verdadeira do passado", pontua.
Apesar de o nome sugerir uma atmosfera de suspense ou terror, Salomão esclarece que a "cidade oculta" faz referência aos detalhes urbanos que passam despercebidos pela população na correria do cotidiano. Um dos exemplos explorados no filme é a arquitetura da biblioteca pública municipal, que foi projetada para se assemelhar a um livro aberto com ilustrações. A proposta da obra é justamente despertar um novo olhar no espectador, transformando a experiência de cinema em um convite à observação da própria história.
"Esse é um tipo de filme que exige que você preste atenção, porque ele fornece muitos detalhes. A cada cena existe um detalhe e um símbolo. Trabalhei muito com a geometria sagrada no filme também, formas geométricas que o próprio símbolo já diz em alguma coisa. Então, o filme é ligado a muitas camadas de conhecimento do próprio ser humano, muitas camadas de autoconhecimento e de conhecer a si mesmo, de você prestar atenção, porque o objetivo da arte é ser um espelho da vida. Então, você vai estar assistindo ao filme, mas você vai estar se vendo ali, porque ele vai estar refletindo seus pensamentos, suas memórias e suas vivências de vida. Então, o filme trabalha com múltiplas camadas", completa.
Veja fotos do filme