Tomate e cenoura puxam alta nas hortaliças; restaurantes sentem impacto em Apucarana
Clima desfavorável reduz oferta e afeta até a aparência dos produtos. Empresários relatam dificuldades para não repassar custos aos clientes

Os consumidores de Apucarana e região estão pagando até 40% mais caro pelas hortaliças, segundo um relatório da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O aumento, impulsionado principalmente pela cenoura, tomate e pimentão, foi constatado no mês de abril e já é sentido com ainda mais força nas prateleiras dos supermercados e feiras da cidade neste mês de maio. Em contrapartida, produtos como alface, alho, chuchu e pepino trouxeram alívio ao orçamento, apresentando quedas que chegam a 27%.
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O levantamento da Seab detalha o peso dessa inflação nos alimentos básicos. A cenoura liderou os índices com um acréscimo de 40%, custando, em média, R$ 8,97. O pimentão subiu 36%, atingindo R$ 12, seguido pelo tomate, que ficou 23% mais caro (R$ 10,17), e pelo repolho, com aumento de 14% (R$ 5,75). O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Adriano Nunomura, explica que a disparada nos preços é consequência direta das condições climáticas. O excesso de chuvas no começo do ano provocou doenças nas plantações e reduziu o volume da colheita em importantes estados produtores, como São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e o próprio Paraná.
A quebra na produção afeta não apenas o valor, mas também a aparência dos vegetais disponíveis para venda. O técnico do Deral esclarece que a baixa oferta faz com que os produtores coloquem no mercado alimentos que não estão no padrão ideal de qualidade, apenas para suprir a demanda. Para as próximas semanas, a projeção aponta para o recuo no valor da cenoura com a retomada das colheitas e a estabilização das hortaliças folhosas, produzidas predominantemente em estufas. Já o tomate, que enfrenta uma transição de safras, deve continuar com os preços em elevação.
Essa flutuação econômica atinge diretamente quem cozinha em casa e, principalmente, o setor gastronômico local. O empresário Fernando Demétrio, dono de um restaurante em Apucarana, relata que o tomate tem sido o principal vilão do seu caixa devido à sua importância nas receitas diárias. Para evitar repassar o aumento do custo dos alimentos e das embalagens para o consumidor final, o empresário tem alterado sua rotina de compras em busca de promoções e feito cortes de gastos em outros setores, como a troca de fornecedores de gás de cozinha.
