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TENTATIVA DE FEMINICÍDIO

Suspeito de tentativa de feminicídio em Apucarana segue foragido

Após 128 dias, suspeito de tentativa de feminicídio continua sem ser localizado

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Suspeito de tentativa de feminicídio em Apucarana segue foragido
Autor Foto: PCPR/TNOnline

O ex-marido de Sayonara da Silva, Ademar Augusto Crepe, de 58 anos, permanece foragido 128 dias após a tentativa de feminicídio ocorrida em 10 de fevereiro, em Apucarana, no Norte do Paraná. O mandado de prisão preventiva contra o suspeito foi expedido pela Justiça dois dias após o crime, mas, até o momento, ele não foi localizado pelas forças de segurança.

- LEIA MAIS: Caso da decapitação de 2017 tem novo julgamento nesta quinta-feira em Apucarana

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A tentativa de assassinato ocorreu em via pública. Segundo informações do boletim de ocorrência, a vítima conduzia um veículo quando foi interceptada por uma caminhonete dirigida por Ademar. A colisão intencional arremessou o carro da vítima contra um poste de iluminação pública.

Conforme o relato registrado à Polícia Militar (PM-PR), após o impacto, o suspeito apontou uma arma de fogo em direção à ex-mulher e ao filho dela. A vítima relatou às autoridades que o homem acionou o gatilho, mas o disparo não ocorreu por razões alheias à sua vontade. Após a falha no armamento, o suspeito fugiu do local.

Em entrevista à reportagem, Sayonara afirmou que o ex-marido teria ido ao local com a intenção de matar ela e o filho. "Ele sacou a arma contra nós e tentou atirar. Os disparos não ocorreram por circunstâncias alheias à vontade dele", relatou.

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A vítima também afirma que pessoas próximas ao casal teriam conhecimento prévio das ameaças feitas pelo suspeito. Segundo ela, o ex-marido teria comentado com terceiros que pretendia matá-la. "Ele falou para várias pessoas que iria me matar, mas ninguém me avisou", declarou.

Além da insegurança gerada pela ausência do agressor, Sayonara contesta a eficácia de parte da rede de proteção oferecida pelo município. A vítima afirma que buscou o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) antes do crime, mas teve o pedido de medidas de proteção, como o botão do pânico, postergado.

"Pedi o botão do pânico em uma terça-feira e fui orientada a retornar na quinta-feira", declarou. Em seu relato, Sayonara aponta que houve falhas no atendimento inicial e que a postura da equipe responsável pelo acolhimento foi inadequada.

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Por outro lado, a vítima afirma que recebeu atendimento adequado da Delegacia da Mulher de Apucarana e diz não ter críticas ao trabalho desenvolvido pela Polícia Civil no acompanhamento do caso.

Por questões de segurança, Sayonara precisou deixar Apucarana e buscar abrigo junto a familiares em outra cidade. Ela relata que, após os primeiros dias de acolhimento, teve de encontrar alternativas por conta própria para garantir a proteção dela e dos filhos.

"Depois de tudo o que aconteceu, eu precisava de apoio para recomeçar. Mas tive que encontrar alternativas praticamente sozinha", afirmou.

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A vítima também relata que enfrentou dificuldades para manter a rotina dos filhos, especialmente em relação ao deslocamento para a escola. Segundo ela, a família passou a conviver com restrições impostas pelo medo e pela necessidade constante de mudar hábitos para evitar uma possível aproximação do agressor, que segue foragido.

Sobre as dificuldades financeiras e logísticas decorrentes da situação, Sayonara pontua que precisou arcar com despesas de transporte para garantir a segurança dos filhos, já que, segundo ela, a rede de suporte municipal não conseguiu atender todas as demandas da família após o atentado.

Além das mudanças na rotina, Sayonara afirma que ela e o filho que estavam no veículo ainda enfrentam consequências emocionais do episódio. "Vivemos sob a sombra do medo. Pensamos que a qualquer momento podemos ser surpreendidos. O agressor caminha livremente, enquanto nós somos privados do direito de ir e vir", disse.

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A reportagem procurou o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) para comentar as declarações da vítima e esclarecer quais medidas de acolhimento e proteção foram oferecidas à família. Até a publicação desta matéria não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

A vítima, que cursa mestrado em Administração na Universidade Estadual de Maringá (UEM), teve sua rotina acadêmica e pessoal alterada por questões de segurança. Devido ao risco iminente, ela não pôde comparecer à cerimônia de formatura na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), sendo representada por uma carta lida pela coordenação do curso.

Apesar das dificuldades, Sayonara afirma que tem encontrado forças nos filhos, na fé e nos estudos para seguir em frente. "Tenho um dever moral com a sociedade. A educação transformou a minha vida e continua transformando", afirmou.

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O que dizem as autoridades

A Polícia Civil de Apucarana, por meio da Delegacia da Mulher, informou que Ademar Augusto Crepe foi indiciado e que o inquérito permanece aberto. Segundo a corporação, as diligências para localizar o suspeito continuam em andamento.

"A gente continua monitorando ele, buscando informações sobre o paradeiro dele. As diligências seguem em andamento", afirmou a delegada Luana Lopes.


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							Suspeito de tentativa de feminicídio em Apucarana segue foragido
AutorFoto: Divulgação PCPR

Canais de denúncia

Informações sobre o paradeiro de Ademar Augusto Crepe podem ser repassadas à Polícia Civil pelos telefones (43) 3420-6700 e (43) 3423-0972. Denúncias anônimas também podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181.

Enquanto aguarda a prisão do ex-marido, Sayonara afirma que continua reconstruindo a própria vida e espera que sua história incentive outras mulheres a romperem ciclos de violência. "Nenhuma mulher merece viver com medo. Nós merecemos respeito, liberdade, amor e paz", declarou.

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