Por unanimidade, Câmara de Apucarana rejeita pedido de cassação do vereador Lucas Leugi
Votação ocorreu durante sessão ordinária realizada nesta segunda-feira no Colégio Estadual Nilo Cairo

Por unanimidade, a Câmara de Apucarana rejeitou, na noite desta segunda-feira (25), o pedido de cassação contra o vereador Lucas Leugi (PSD). A denúncia por quebra de decoro parlamentar foi protocolada por um morador da cidade na última quinta-feira (21), que acusava o parlamentar de utilizar ferramentas de inteligência artificial para manipular um vídeo institucional da Prefeitura e pedia a abertura de uma Comissão Processante.
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Por 10 votos a zero - por motivo regimental, o denunciado não participa da votação -, os vereadores não acataram a proposição baseada em uma denúncia protocolada por um morador. A sessão foi realizada pela Câmara no Colégio Estadual Nilo Cairo.
O autor do pedido de cassação é o cidadão identificado como Wilson Bovo Ferreira. Segundo documento apresentado ao Legislativo e lido antes da votação, a acusação se baseia em um video veículado nas redes sociais do vereador envolvendo a prática conhecida como "deepfake" — técnica de manipulação digital avançada. O alvo da adulteração teria sido um material audiovisual veiculado pelo prefeito Rodolfo Mota (União Brasil) e pelo deputado Delegado Jacovós (PL), que abordava a redução da dívida pública do município. O episódio já havia gerado desdobramentos na esfera judicial, incluindo a remoção do conteúdo.
Alvo da denúncia, o vereador Lucas Leugi argumentou que banalizar a conduta de um instrumento de cassação coloca em risco à democracia. Ele também argumentou que acredita estar sendo alvo de uma ação orquestrada por um pool de empresas envolvidas em processos de licitação junto a Prefeitura de Apucarana que vêm sendo fiscalizadas em suas ações parlamentares. O vereador agradeceu o voto unânime dos vereadores "apesar das divergências políticas".
A tentativa de cerceamento do mandato parlamentar foi citada também por outros vereadores. "São denúncias vazias e a gente sabe que quebra de decoro é um ato político e, em respeito ao poder legislativo e ao voto popular, me manifesto contrariamente a esse pedido", justificou o vereador Tiago Cordeiro (PDT).
O presidente da Câmara, Danylo Acioli (MDB), também criticou o que ele classificou como uma "afronta à democracia". "A partir do momento que recebemos uma denúncia baseada em um vídeo que está dentro das 'quatro linhas' do que se espera da oposição, seria a total decrepitude do legislativo darmos espaço para isso. Nós não banalizamos o mandato de ninguém e não vamos aceitar esse tipo de ataque. Nós não somos circo", comentou.
