Mulher que salvou homem de atropelamento conta ter fobia de trem: "Em choque"
Moradora conta detalhes do momento de desespero ao ver homem com andador cair na linha férrea do Jardim Trabalhista
TNOnline TV
Mesmo tendo uma fobia de trem desde a infância, a professora e influenciadora Karla Gama França ignorou o próprio medo para salvar um homem com dificuldade de locomoção que havia caído nos trilhos em Apucarana, na tarde desta quarta-feira (3).
A ação heroica aconteceu segundos antes da passagem de uma locomotiva e foi registrada por uma câmera de segurança. Após o resgate, a moradora revelou ter ficado "em estado de choque" ao ver o trem se aproximando. Karla trafegava de carro pela passagem de nível da Rua Hermes da Fonseca quando presenciou o homem caindo. "A hora que o trem buzinou, eu vi que estava muito perto, olhei para ele, ele tinha caído. Foi onde deixei minha filha no carro, nem sei se puxei o freio de mão, se desliguei o veículo, não sei, minha intenção era tirar ele dali", recorda a motorista.
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O desespero da vítima ao cair foi o que impulsionou o resgate rápido em meio ao trânsito. "Eu quase fui atropelada por um carro a hora que saí do meu veículo e não lembro de nada, só lembro que ele me olhou com um olhar de desespero e deu os braços", narra.
O ato de bravura ganha um peso ainda maior pelo fato de a salvadora lidar com uma fobia de trem desde a infância, conhecida como siderodromofobia. O instinto de proteção fez com que ela agisse no automático, algo que ela mesma tentou racionalizar depois. "Até falei para o meu esposo: 'por que eu?'. Logo eu, que tenho tanto medo de trem", reflete Karla.
Ela revela que toda vez que escuta a buzina sente um medo inexplicável: "Desde criança tenho trauma, então quando vejo o trem vindo de frente, já começa a me dar crise de ansiedade, choro. Na hora eu consegui puxar ele, peguei o andador, mas a hora que vi a locomotiva vindo, foi onde já entrei em estado de choque".
Sobre o homem resgatado, Karla afirma que ele é conhecido na vizinhança e costuma usar apoios para conseguir caminhar. "Eu vejo ele andando às vezes na rua, ele é aqui do bairro. Até já o vi andando com uma carriola, com um carrinho para se apoiar. Ele já estava com dificuldade, estava com um sapato maior, então acho que foi isso que fez travar na linha."
Ela precisou ser retirada do local com a ajuda de um popular que saía de uma oficina. Karla só compreendeu o impacto da própria atitude algumas horas mais tarde. "Depois que eu vi os vídeos circulando nas redes, foi onde deu um baque mesmo. Você pensa: poxa, se eu não tivesse feito aquilo, o que eu poderia ter visto?".
Ainda processando o trauma e o susto, a motorista finalizou a entrevista pedindo que a população redobre a atenção nesses cruzamentos urbanos: "A gente tem que ficar muito atento ao que está acontecendo".