Meteorologista explica o que é downburst, "microexplosão" que pode ter atingido Apucarana; veja
Temporal deixou cidade sem fornecimento de energia elétrica e água; meteorologista explica a dinâmica do evento climático
TNOnline TV
Dois dias após o temporal que atingiu Apucarana na última segunda-feira (21), o município ainda enfrenta as consequências do evento climático. A violência dos ventos, que destelhou casas, quebrou mais de 70 postes e derrubou árvores de grande porte, transformou a cidade no epicentro dos estragos causados pelas chuvas no estado. Até o momento, 16 mil imóveis seguem sem energia elétrica e mais de 70% do município permanece sem abastecimento de água.
As características da destruição levantam a hipótese de que a cidade tenha sido atingida por um "downburst", fenômeno também conhecido como microexplosão. O coordenador de operações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), meteorologista Marco Jusevicius, detalha a dinâmica do evento, que é comum no Paraná. Veja o vídeo acima
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"O fenômeno conhecido como microexplosão é um dos tipos de tempestade severa que nós observamos na região do estado do Paraná e no Centro-Sul do Brasil", afirma Jusevicius. Ele esclarece que o evento difere de um tornado, embora também seja marcado por ventanias intensas e grande potencial destrutivo. "Diferentemente do tornado, ela também causa rajadas de vento forte, mas normalmente associada com o colapso da chuva que está dentro da nuvem, que precipita praticamente todo o volume de água presente na chuva de uma vez e, junto com isso, ela arrasta a atmosfera criando rajadas de vento muito forte em superfície".
Para confirmar oficialmente se Apucarana foi alvo de uma microexplosão, os especialistas realizam um minucioso trabalho investigativo no pós-tempestade. Segundo o coordenador do Simepar, a categorização dos impactos exige o cruzamento de dados técnicos com os registros locais.
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"A categorização de uma tempestade perante os seus impactos, perante a destruição que ela causa ou outros sinais que ela deixa em alguma região, deve ser feita em conjunto com os dados meteorológicos", explica. A análise é feita "buscando as informações de radar, de satélite, de estações meteorológicas e também com as evidências que são encontradas nos locais onde essa tempestade afetou, como fotos, sobrevoo de drones, testemunhos locais".
Segundo o especialista, é a partir desse levantamento que o cenário real se desenha para os meteorologistas. "E juntando todas essas informações, você consegue montar um quebra-cabeça para tentar entender qual é a tempestade que afetou aquele local e como que o estrago se deu perante a atuação da tempestade".
Jusevicius ressalta que o esforço conjunto de profissionais é essencial para embasar a análise climática, indo além da percepção visual dos moradores, para gerar laudos e registros precisos. "A gente precisa juntar informações, fazer as categorizações para que a informação seja mais precisa para o público em geral", conclui.