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Indústria do vestuário de Apucarana repudia fim da "taxa das blusinhas"

Medida provisória já entrou em vigor e preocupa setor industrial do município que soma 600 empresas e emprega cerca de 25 mil pessoas

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Indústria do vestuário de Apucarana repudia fim da
Autor Polo do vestuário do município é o maior do estado e emprega cerca de 25 mil pessoas, entre empregos formais e informais - Foto: Gaby Campos/TNOnline

Empresários da indústria do vestuário de Apucarana, no norte do Paraná, se manifestaram nesta quarta-feira (13) contra o fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido como “taxa das blusinhas”. A medida provisória, anunciada pelo governo federal na terça-feira (12), já entrou em vigor.

- LEIA MAIS: Fim da "taxa das blusinhas" preocupa indústria; plataformas apoiam

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O polo do vestuário do município é o maior do estado e emprega cerca de 25 mil pessoas, entre empregos formais e informais, em mais de 600 empresas, segundo estimativa do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale). Conforme a presidente da entidade, Elizabete Ardigo, a medida traz consequências para a indústria nacional de vestuário e reacende o debate sobre competitividade e equilíbrio de mercado.

“Entendemos a preocupação do consumidor em buscar preços mais acessíveis, especialmente em um momento econômico delicado. Porém, é preciso lembrar que a indústria brasileira gera empregos, renda, desenvolvimento regional e trabalha dentro de uma carga tributária muito elevada”, analisa.

Na opinião da empresária, produtos importados comercializados com tributação menor geram uma concorrência desigual e desleal para a indústria nacional. “Apucarana possui um polo de confecção muito forte, responsável pela geração de milhares de empregos e pelo fortalecimento da economia local e regional. Além disso, as indústrias convivem constantemente com o aumento de impostos, altos custos de produção e também com a dificuldade na contratação de mão de obra”, finaliza.

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O empresário Antônio Carlos Macarrão Machado, que atua no setor de bonés, tem o mesmo posicionamento e defende que o fim do imposto interfere, sobretudo, nas empresas que fabricam mercadorias para o comércio eletrônico. “Aqui em Apucarana, as empresas do mercado de bonés que atendem via internet e e-commerce acabam sendo fortemente prejudicadas. Será uma concorrência totalmente desleal, porque os importados não têm as desvantagens que nós, aqui dentro, recolhendo todos os impostos, temos”, comenta.

Para Macarrão, trata-se de uma medida meramente eleitoreira, anunciada cinco meses antes das eleições e com sérias desvantagens para a indústria. “Essa medida deixa a indústria e o comércio brasileiros desprotegidos. Acredito que essa questão vai prejudicar muito o setor, sobretudo aqueles que trabalham com a venda no e-commerce”, analisa.

A empresária Maria Abigail Fortuna também compartilha da mesma indignação em relação à medida. “Inaceitável. Mais um grande erro desse desgoverno. Precisamos da redução de impostos na produção nacional de vestuário e da redução de impostos na importação de tecnologia para a produção com alta qualidade e produtividade nos nossos produtos têxteis”, defende.

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Apesar do fim da cobrança do imposto de importação do governo federal, os estados seguem taxando as importações de pequeno valor por meio do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A alíquota praticada no Paraná é de 17% e em outros estados pode chegar a 20%.

ENTIDADES EMITEM NOTA DE REPÚDIO

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) emitiu ontem uma nota de repúdio à decisão do governo federal de extinguir a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50. A federação considera que a medida terá um forte impacto principalmente para o setor de confecções, segundo maior empregador da indústria paranaense.

“A Fiep manifesta profunda preocupação e repudia com veemência a decisão anunciada pelo governo federal de extinguir a tributação incidente sobre compras internacionais de até US$ 50. Ao ampliar ainda mais a desigualdade tributária entre fabricantes nacionais e plataformas estrangeiras, a iniciativa representa um duro golpe para a competitividade da indústria brasileira, especialmente para o setor de confecções, um dos maiores geradores de empregos do país”, diz a nota.

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Segundo a Fiep, o segmento responde por mais de 70 mil empregos formais no Paraná, sendo o segundo maior gerador de empregos da indústria paranaense. Trata-se de uma atividade fortemente ligada à inclusão produtiva e à geração de renda, especialmente para as mulheres: 65% da força de trabalho do setor no Paraná é feminina, índice muito superior à média dos demais segmentos da indústria de transformação estadual, que é de 34%.

A Fiep finaliza o texto ressaltando que o resultado da medida será um forte impacto econômico e social para o Paraná e para o Brasil, comprometendo renda, investimentos, competitividade e desenvolvimento industrial.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também se manifestou por meio de nota. A entidade demonstra profunda preocupação e repudia a decisão anunciada pelo governo federal. "Trata-se de uma decisão extremamente equivocada, que penaliza de modo direto quem investe, produz, emprega e acredita no Brasil", diz a nota.

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AutorFoto: tnonline


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