Haitianos que moram em Apucarana (PR) estão divididos para o jogo contra o Brasil
Imigrante promete fazer churrasco com amigos caso a sua seleção derrote os brasileiros nesta sexta-feira (19); já a colega diz torcer para o Brasil
TNOnline TV
O confronto entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo, nesta sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), tem movimentado a comunidade haitiana que vive em Apucarana (PR). Os imigrantes estão com o coração dividido para assistir ao jogo. Empolgados com a volta da seleção da terra natal para a Copa após 52 anos, eles também mostram muita gratidão pelo país que os acolheu.
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Morador do município há seis anos, Sadracque Pierre, de 29 anos, trabalha como costureiro na empresa Onda Bonés, em Apucarana. Ele não esconde a empolgação com a sua seleção, mas reconhece o favoritismo brasileiro. O Haiti perdeu para a Escócia na estreia por 1 a 0, no seu retorno à competição após cinco décadas longe dos gramados do Mundial — a última participação havia sido em 1974, na Alemanha. “É difícil ganhar (do Brasil). Acredito que vai perder de 2 a 0”, diz.
Apesar do pessimismo, ele afirma que uma vitória da sua seleção seria motivo de muita festa. Sadracque promete gastar R$ 2 mil e fazer um grande churrasco com os amigos no caso de triunfo do Haiti.

Por outro lado, ele mostra muita gratidão pelos brasileiros. “Eu gosto do Brasil. Toda pessoa aqui do Brasil respeita o imigrante. Se o Haiti ganhar, eu vou ficar feliz; se o Brasil ganhar, vou ficar feliz também, porque eu agora sou brasileiro”, assinala.
Bem estabelecido na cidade e com a esposa grávida de quatro meses de um menino brasileiro, Sadracque mostra preocupação com a arbitragem e reclama de decisões contrárias à sua seleção no jogo de estreia contra a Escócia.
A haitiana Mirlande Orellus, de 27 anos, que é auxiliar de costura, trabalha há dois anos também na Onda Bonés. Ela está torcendo para o Haiti e acredita na vitória. Já a colega Marie Francina, de 52 anos, também auxiliar de costura e há cinco anos na mesma empresa, não disfarça sua paixão pelo Brasil. Vestindo a camisa da seleção, ela responde sem pensar quando questionada sobre para quem vai torcer: “Brasil ganha”.
Atualmente, cerca de 200 mil haitianos vivem no Brasil, muitos deles já naturalizados, formando uma das maiores comunidades estrangeiras do país. Em Apucarana, a presença dos imigrantes começou a crescer a partir de 2010, quando o Haiti sofreu com um terremoto que devastou o país e ampliou as dificuldades financeiras da população local.
Com reportagem de Lis Kato
