Empresário de Apucarana percorre 800 km a pé no Caminho de Santiago de Compostela
Com a chegada prevista para este domingo na famosa catedral espanhola, o peregrino detalha as lições durante a caminhada

O empresário apucaranense, Bruno Marcato, 32 anos, está prestes a concluir o desafio de percorrer a pé os 800 quilômetros do Caminho de Santiago de Compostela. A jornada de 34 dias, iniciada no histórico vilarejo francês de Saint-Jean-Pied-de-Port, no sopé dos montes Pirineus, tem chegada prevista para este domingo na famosa catedral espanhola.
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Movido pela fé e pelo desejo de autoconhecimento, o apucaranense transformou um sonho, que vinha sendo amadurecido por quase quatro anos, em uma intensa experiência de superação física, mental e espiritual nas estradas da Europa.
O longo trajeto exige uma resistência ímpar para enfrentar variações climáticas, subidas íngremes e o desgaste natural de caminhar continuamente por mais de um mês, com previsão de apenas dois dias de descanso. Apesar das quase 200 horas acumuladas de esforço, Bruno relata que o verdadeiro obstáculo da travessia não está no corpo.
"Aqui tudo se reconecta, físico, mente e espírito. Depois de um determinado momento, você percebe que é totalmente mental e espiritual. A cabeça é noventa por cento do desafio. Tem trecho que fisicamente é mais difícil, mas tem uma parte que é como se estivesse atravessando um deserto", conta.
Nesses trechos, descritos como verdadeiros desertos, a resiliência psicológica é testada por dias consecutivos.
Durante a peregrinação, a exaustão e as dores fizeram com que Bruno pensasse em abandonar a caminhada e comprar uma passagem de volta. Para não ceder à tentação de desistir, ele recorreu à oração, à paciência e ao foco no objetivo final, compreendendo cada obstáculo como uma etapa de ensino antes do repouso.
"Se apegar ao objetivo, ter paciência, rezar bastante e tentar manter a calma. Entender que aquele momento difícil é para te ensinar alguma coisa, dormir, e no dia seguinte ter forças para continuar", afirma Bruno.
Paralelamente às provações, o isolamento proporcionado pelas montanhas e áreas rurais serviu para uma reflexão pessoal, oferecendo o distanciamento necessário para que ele pudesse reavaliar a vida e reorganizar as prioridades.
Além do mergulho interior, a travessia se destacou pela convivência com pessoas de diversas partes do planeta. O apucaranense descreve essas interações como um reflexo fiel da própria existência, onde parceiros surgem para compartilhar as dores e alegrias da caminhada por alguns dias, mas logo seguem seus próprios ritmos e destinos.
"Você faz alguns amigos, perde a maioria deles, continua com outros e vai conhecendo gente do mundo inteiro. É a dinâmica da vida. As pessoas chegam, fazem a parte delas e vão embora. No começo e no final do dia, você está sozinho. É uma experiência realmente transformadora".
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Prestes a alcançar a Catedral de Santiago de Compostela, o peregrino ressalta que o maior aprendizado da aventura não foi apenas ouvir histórias inspiradoras, mas ter tido a coragem de viver a sua própria história e voltar para casa com uma transformação de dentro para fora.






















