Em comunicado a credores, empresário pede “paciência” e admite dívida em Apucarana
Documento vem a público em meio a uma avalanche de denúncias sobre o operador financeiro, que teria recolhido em seu CPF soma alta de recursos

O empresário do ramo de serviços de ativos virtuais denunciado por investidores de Apucarana e de municípios da região por aplicar um suposto golpe financeiro milionário divulgou um comunicado oficial aos credores. No texto, ele admite a sua incapacidade de honrar os compromissos assumidos e pede “paciência”. O documento, obtido pelo TNOnline, vem a público em meio a uma avalanche de denúncias sobre o operador financeiro, que teria recolhido em seu CPF particular uma soma alta para investimentos, sem realizar o ressarcimento dos valores. A Polícia Civil de Apucarana informou que irá remeter o caso para a Polícia Federal (PF), em Londrina.
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No comunicado, o empresário estabelece regras para o ressarcimento, incluindo a criação de uma comissão de credores, e alerta para a exclusão do acordo daqueles que buscarem uma “solução individual”.
O operador financeiro reconhece problemas na estruturação da empresa que iria gerir os investimentos e afirma não possuir recursos para o pagamento imediato das dívidas. Para tentar organizar a devolução, ele anunciou que apenas o valor original aportado será considerado na base de cálculo. Com isso, ele zera qualquer promessa de rendimentos, lucros acumulados ou saldos projetados nas plataformas de investimento até o mês de maio. A proposta inicial do negócio, que atraiu cerca de 480 famílias, sustentava-se em retornos que giravam entre 3,5% e 4% ao mês, bem acima do mercado. Segundo estimativas dos envolvidos, os valores podem chegar a R$ 40 milhões.
O plano promete que os investidores com créditos de até R$ 5 mil terão os valores integralmente liquidados em um prazo de 20 dias. Para os grandes credores, a proposta é iniciar repasses mensais a partir de 1º de setembro de 2026. Esses pagamentos seriam financiados pelo lucro líquido de supostas operações futuras do próprio empresário e distribuídos de forma igualitária, independentemente do montante milionário que algumas vítimas possam ter investido.
“Hoje, reconheço com humildade que cheguei a uma situação em que não possuo recursos suficientes para honrar imediatamente todos os compromissos assumidos. Essa é uma realidade dolorosa para mim e, principalmente, para aqueles que foram impactados por ela”, escreveu no comunicado ao qual o TNOnline teve acesso.
O empresário promete que somente irá devolver “o valor efetivamente aportado por cada credor ao longo do período de participação nas operações”. “Não serão considerados como base de cálculo saldos projetados, rendimentos, lucros acumulados, valores demonstrados em plataformas, painéis ou registros de acompanhamento, incluindo os saldos eventualmente existentes em 15/05/2026. O reconhecimento dos créditos terá como referência os aportes efetivamente realizados e devidamente identificados, os quais servirão como base para o processo de restituição previsto neste plano.”
Ele acrescenta que o plano “não representa renúncia às obrigações assumidas, mas sim uma tentativa de criar um caminho organizado, transparente e viável para que elas possam ser cumpridas dentro das condições atualmente existentes”.
“A participação na Comissão de Credores e no plano coletivo é voluntária. Cada credor permanece livre para decidir, de forma autônoma, qual caminho considera mais adequado para a defesa de seus interesses. [...] Caso algum credor opte por buscar uma solução individual por vias próprias, deixará de participar do plano coletivo proposto pela comissão, passando a conduzir sua demanda de forma independente. Respeitamos o direito de cada pessoa tomar a decisão que considerar mais adequada, mas acreditamos que a cooperação e a união de esforços representam o caminho que oferece as melhores condições para maximizar os resultados e beneficiar o conjunto dos credores. Neste momento, mais do que ações isoladas, acreditamos que a colaboração, a paciência e a compreensão mútua são os elementos que podem nos ajudar a atravessar esta fase da maneira mais justa e equilibrada possível”, diz trecho da nota.
NOTA DA DEFESA
A reportagem procurou o escritório Possani & Gonçalves Advogados Associados, que informou que o comunicado foi encaminhado pelo empresário antes da contratação de seus serviços.
Na quarta-feira (17), em nota oficial, o escritório informou que ele "não foi comunicado oficialmente, por qualquer órgão competente, acerca de procedimento oficial relacionado aos fatos mencionados".
"Nesse contexto, a divulgação de informações não confirmadas, comentários paralelos ou manifestações isoladas apenas contribui para o aumento da tensão entre os envolvidos, sem colaborar para a efetiva resolução da questão. Atitudes precipitadas podem gerar insegurança e prejuízo para a sua adequada solução. Esclarecemos que nosso cliente está devidamente assessorado e que tem o compromisso de buscar uma solução concreta e responsável que atenda a coletividade. Por cautela e responsabilidade na condução jurídica, não serão realizados comentários sobre informações não confirmadas ou situações individuais neste momento", disse a nota.
