“Ele era um anjo”: Bruno deixa saudade na Casa do Dodô em Apucarana
Jovem de 28 anos, natural de Borrazópolis, viveu por pouco mais de um ano na residência inclusiva e morreu após passar por uma cirurgia

O sorriso de Bruno Moreira Trida é uma das lembranças que permanecem na Casa do Dodô, em Apucarana. Aos 28 anos, o jovem, natural de Borrazópolis, viveu pouco mais de um ano na residência inclusiva, onde encontrou acolhimento, cuidados e uma nova rotina. A convivência terminou neste fim de semana, com a morte de Bruno, que enfrentava um grave problema intestinal e não resistiu após passar por uma cirurgia.
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A Casa do Dodô é destinada ao acolhimento de pessoas com necessidades especiais que, por diferentes motivos, tiveram os vínculos familiares rompidos. Ao comunicar a morte do jovem nas redes sociais, a instituição transformou o anúncio em uma homenagem àquele que, segundo quem conviveu com ele diariamente, tinha como uma de suas principais marcas a alegria. “Bruno era um jovem muito alegre, que arrancava sorrisos por onde passava. Foram momentos de convivência, carinho e aprendizados que agora permanecerão guardados em nossa memória e em nossos corações”, publicou a Casa do Dodô.
O diretor da instituição, Antônio Carlos Machado, conhecido como Macarrão, ainda se emociona ao falar sobre o jovem. Segundo ele, Bruno havia completado um ano de convivência com a equipe no dia 7 de agosto. “Até agora eu estou meio passado. Ele estava com a gente há um ano e sempre sorrindo. Você não acredita, mas ele sempre estava sorrindo, mesmo com o problema gravíssimo que tinha”, contou.
Bruno enfrentava dificuldades para digerir os alimentos e tinha um quadro intestinal considerado grave. Por causa da condição de saúde, passava períodos frequentes internado e precisava de acompanhamento permanente. “Metade do tempo ele ficava internado. A gente tinha até que colocar uma cuidadora para acompanhá-lo o tempo inteiro”, relatou Macarrão.
De acordo com o diretor, quando Bruno chegou à Casa do Dodô, os médicos já avaliavam que sua expectativa de vida poderia ser curta. Segundo ele, havia uma previsão de que o jovem pudesse viver apenas mais alguns meses. “Teve diagnóstico médico dizendo que talvez ele vivesse dois ou três meses. E, graças a Deus, ele conseguiu ficar com a gente por um ano”, disse.
Apesar das limitações impostas pela doença, Macarrão lembra que Bruno encontrava motivos para se alegrar nas pequenas conquistas do dia a dia. Uma delas aconteceu quando a instituição conseguiu uma cadeira de rodas especial para o jovem. “Quando ele ganhou a cadeira de rodas, foi uma alegria. Ele só ficava deitado quando chegou. Aí a gente arrumou uma cadeira especial para ele, e você precisava ver a alegria dele”, lembrou.
Para o diretor, momentos como esse ajudam a explicar por que Bruno deixou uma marca tão forte entre as pessoas que cuidavam dele.
Ao falar sobre Bruno, Macarrão não esconde a emoção. Para ele, a convivência com o jovem também serviu como um lembrete sobre a importância de valorizar a vida e as pequenas coisas do cotidiano. “Às vezes, as pessoas estão lá cheias de problemas: problema financeiro, problema de família, problema de trabalho. Aí você olha para uma pessoa como era o Bruno e pensa: será que eu realmente tenho problema?”, afirmou.
O diretor diz que a lembrança mais forte será justamente a do sorriso do jovem. “Ele era um anjo, de verdade. Aquela pessoa que estava sempre dando risada. Mesmo com o problema que ele tinha, que era seríssimo, ele sempre sorria”, afirmou.
A cirurgia pela qual Bruno passou era considerada necessária diante do agravamento do quadro, mas também envolvia riscos. Segundo Macarrão, os médicos tentaram adiar o procedimento pelo maior tempo possível. “Se ele não fizesse a cirurgia, ele ia morrer. Mas o risco da cirurgia também era muito grande. Infelizmente, a gente perdeu ele”, lamentou.
Bruno foi sepultado em Borrazópolis, onde nasceu e onde vive sua família. Na despedida, a Casa do Dodô reforçou o vínculo construído ao longo do último ano.
“Sentiremos saudades, Bruno. À sua família e a todos que o amavam, deixamos nosso carinho e os nossos mais sinceros sentimentos. Descanse em paz. Sua passagem pela Casa do Dodô fará sempre parte da nossa história”, publicou a instituição.
Para Macarrão, porém, a história de Bruno não termina apenas na lembrança da doença ou da despedida. O que fica é a imagem de um jovem que, mesmo diante de tantas dificuldades, continuava sorrindo. “Na minha cabeça fica sempre aquela lembrança dele sorrindo. Não é fácil. Mas ele foi um anjinho guerreiro”, afirmou.
A Casa do Dodô também destaca, neste momento de luto, a complexidade do trabalho desenvolvido pela instituição. Além do acolhimento, a equipe acompanha diariamente pessoas que necessitam de cuidados contínuos, em uma rotina que exige atenção permanente e acompanhamento individualizado.
