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Dona de éguas denuncia maus-tratos por empresa terceirizada

Animais foram recolhidos e devolvidos com diversos ferimentos, como cortes, perfurações e suturas

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Dona de éguas denuncia maus-tratos por empresa terceirizada
Autor Foto: Foto cedida ao TNOnline

Uma moradora do Jardim Catuaí, em Apucarana (PR), procurou a reportagem do TNOnline para denunciar um suposto caso de maus-tratos contra duas éguas e um potro por uma empresa terceirizada da Prefeitura Municipal de Apucarana, responsável pelo recolhimento de animais. A tutora relata que os cavalos escaparam de um pasto e foram recolhidos na segunda-feira (10). Quando ela conseguiu a documentação necessária para liberação, um deles foi devolvido com cortes, perfurações, machucados e suturas. A empresa afirma ter sido um suposto ataque de onça (veja nota abaixo).

Janaína Zanetti é professora de Ciências Biológicas da rede estadual de Ensino e, ao lado do marido, cuida dos animais em um pasto na Rua Sussumu Shimura. Na segunda-feira, as éguas e o potro, de apenas dois meses e meio, acabaram escapando da propriedade e foram vistos transitando em uma rodovia. A professora não sabe como a fuga aconteceu, mas afirma que isso não é comum. "Eles estão lá há um ano e meio, sempre presos no pasto", garante.

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A Guarda Civil Municipal (GCM) de Apucarana foi acionada e prestou apoio no recolhimento dos animais. Janaína ficou sabendo da situação e foi até o local, mas não encontrou nenhuma autoridade. Ela afirma que entrou em contato com a GCM, mas recebeu uma negativa quando questionou sobre o recolhimento dos cavalos. O comandante da corporação, no entanto, nega o fato (saiba mais abaixo).

"Não sabia se era caso de ladrão ou se tinha sido mesmo a guarda. Se fosse a GCM, eu ficaria tranquila, porque elas [éguas e potro] estariam seguras e não na rodovia", contou ao TNOnline. O casal acabou acionando a Polícia Militar (PM), que registrou um boletim de ocorrência e também conseguiu a confirmação de que os animais haviam sido recolhidos pela empresa terceirizada, com apoio da GCM.

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Extremamente preocupada com os cavalos, Janaína buscou informações por conta própria e na terça-feira (11), feriado municipal em Apucarana, descobriu que eles estavam em uma propriedade em Mandaguari (PR). "Peguei meu carro e fui atrás, sentia no coração que eles estavam lá. Achei o local por volta das 17h30, um local abandonado", relata a professora. "O potro estava com uma pata fraturada, mas as éguas estavam bem, apenas bastante assustadas", completou. A professora afirma que os animais estavam sem água e comida, além de haver outros bichos em situação precária.

"Nem encostei nas éguas, deixei lá porque era o certo. Mas na quarta-feira (12) fui até a GCM no primeiro horário e consegui toda a documentação para aliberação, paguei R$ 520", informa. A professora, no entanto, desabafou para a reportagem que o processo foi extremamente complicado. A emissão da guia de pagamento demorou horas e ela ainda precisou da assinatura de cinco secretários. "Finalizei tudo só às 17h e já entrei em contato com o dono da empresa terceirizada, mas ele disse que não tinha caminhão e prometeu entregar meus animais na quinta-feira (13)".

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Foi nesse momento que a situação teve agravante. Quando os animais chegaram na propriedade de Janaína na quinta, ela descobriu os diversos ferimentos. O potro seguia com a luxação na pata e uma das éguas estava saudável, mas a outra estava "extremamente cortada". "Tinha um veterinário de Apucarana junto, que contou ter sido contratado às 22h da quarta-feira para atender minha égua que estava morrendo", conta a professora. A égua foi devolvida com diversos ferimentos pelo corpo e, segundo a dona, um laudo feito por médico veterinário apontou que foram causados por objeto cortante e ação humana.

Agora, Janaína e o marido tiveram que adaptar uma casa que possuem para abrigar os animais, já que eles não podem retornar para o pasto. "Tive que adaptar o tanque para virar cocho, também tive que pegar várias caixas em um mercado", pontua. A professora busca por justiça e afirma que garantirá que os responsáveis respondam pelos crimes cometidos. "Não tenho dinheiro, mas Deus vai me ajudar a buscar justiça", garante.

O que diz a prefeitura, GCM e empresa terceirizada?

A Secretaria de Meio Ambiente de Apucarana informou ao TNOnline na manhã desta segunda-feira (17), que notificou a empresa terceirizada na sexta-feira (14). O secretário municipal Marcos Diego Da Silva explicou que tomou ciência do caso de forma extra-oficial, já que a Janaína Zanetti não procurou ajuda da pasta. "A Secretaria notificou a empresa e na sexta-feira foi realizado diligências no local", informa. A Sema não encontrou evidências que comprovem os maus-tratos contra animais na propriedade localizada em Mandaguari (PR).

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A Guarda Civil Municipal (GCM) também foi procurada pela reportagem e explicou a situação. O comandante Pablo Pereira afirma que a corporação não negou informações para a professora, e também garantiu que tudo que foi questionado sobre os animais foi respondido. "Acontece que ela pediu dados de pessoas, como número de telefone e nomes, e isso a GCM não pode fornecer", explica o comandante, frisando que não é responsabilidade da GCM o recolhimento de animais na cidade. "A GCM apenas acompanha para fornecer segurança para os funcionários da empresa terceirizada".

Já a empresa terceirizada, que presta serviços para a Prefeitura de Apucarana desde 2019, respondeu à notificação da Secretaria de Meio Ambiente negando qualquer tipo de maus-tratos. "Em resposta à solicitação de esclarecimentos, temos a informar que houve um ataque de onça na propriedade, resultando em ferimentos nos animais, conforme registrado e evidenciado pelas fotos anexas", diz a nota enviada pela empresa na manhã desta segunda e disponibilizada ao TNOnline. "Esclarecemos que os ferimentos apresentados pelos animais não decorreram de maus-tratos ou negligência, mas sim do ataque do animal silvestre, uma fatalidade", completa a empresa, que possui sede em São Paulo e representantes em Apucarana.


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AutorFoto: Foto cedida ao TNOnline

Na manhã desta segunda-feira (17), Janaína compareceu na sede da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana e conversou com o delegado-chefe, Marcus Felipe Rodrigues da Rocha. A Polícia Civil de Mandaguari também será notificada para dar sequência no caso de investigação de maus-tratos.

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