Dia do Professor: renovação desafia a educação no Brasil
Separados por 30 anos de idade, Isis Schafranski Silva e Jorge Marques, de Apucarana, compartilham suas trajetórias no ensino

O Brasil chega ao Dia do Professor, comemorado nesta quinta-feira (15), com um desafio para as próximas gerações: renovar o quadro de profissionais que atuam nas salas de aula. Entre 2015 e 2025, o número de docentes do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto o contingente com 60 anos ou mais aumentou 104,5%, segundo a segunda edição da pesquisa “Apagão dos Professores: o desafio da renovação dos professores no Brasil”, do Instituto Semesp.
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Em Apucarana, dois professores da rede estadual, separados por 30 anos de idade, relatam o que os levou à profissão e as dificuldades que podem influenciar a escolha de novos educadores. Isis Schafranski Silva, de 29 anos, começou a lecionar aos 18. Jorge Marques, de 59, completará três décadas de magistério em 2027.
As trajetórias se inserem em um cenário nacional de mudança no perfil etário da categoria. No período analisado pelo Semesp, o número de professores do ensino médio com até 24 anos passou de 17,3 mil para 11,9 mil. Entre aqueles com 60 anos ou mais, o total subiu de 18,2 mil para 37,3 mil.
Em 2015, havia aproximadamente um professor de até 24 anos para cada docente com 60 anos ou mais. Em 2025, a relação passou a ser de cerca de um para três. A projeção do instituto é que, em 2040, essa proporção chegue a um para seis.
Vinda de uma família de professores, Isis conta que a docência sempre esteve presente em sua vida, mas que o incentivo da mãe e do então namorado, hoje esposo, também foi importante para sua escolha.
Ao longo da carreira, ela descobriu que ensinar envolve muito mais do que transmitir conteúdos. Turmas numerosas, evasão escolar, dificuldade para manter os estudantes motivados e demandas burocráticas fazem parte da rotina. “Ensinar exige planejamento, dedicação e, principalmente, tempo para olhar para cada aluno e compreender suas necessidades”, afirma.
Mesmo com os desafios, Isis acredita que a sala de aula continua sendo um espaço de possibilidades, em que cada estudante tem suas próprias necessidades e oportunidades de desenvolvimento.
Embora a docência ofereça experiências que marcam a trajetória de educadores e estudantes, a escolha pela profissão também envolve questões como remuneração, reconhecimento e condições de trabalho.
Para Isis, a internet e as redes sociais ampliaram a visibilidade dessas dificuldades, influenciando a maneira como os jovens enxergam a carreira. “Hoje, os jovens conseguem enxergar não apenas a beleza de ensinar, mas também as dificuldades que fazem parte dessa profissão”, avalia.

A história de Jorge Marques começou com a influência de uma professora que marcou sua vida escolar. Durante o ensino fundamental, Dona Maximínia, de Estudos Sociais, despertou nele o interesse pela aprendizagem e pela descoberta. “Gostava da aprendizagem, da descoberta e, de alguma forma, procurava relacionar o que aprendia com o dia a dia”, relembra.
A experiência contribuiu para que ele escolhesse a licenciatura. No próximo ano, Jorge completará 30 anos de magistério e destaca que acompanhar o crescimento dos alunos é uma das principais razões para continuar ensinando.
“É gratificante poder acompanhar o desenvolvimento, a aprendizagem e a evolução de cada aluno, os seus desafios, suas conquistas, avanços e vitórias, que muitas vezes vão além da sala de aula”, afirma.
Assim como a colega mais jovem, Jorge também considera que as diferenças salariais, a complexidade do trabalho e a variedade de cursos superiores podem influenciar a procura pelas licenciaturas.
