Dia do Garçom: profissionais são destaque na história gastronômica de Apucarana
Em Apucarana, há alguns anos atrás, a data era considerada praticamente um feriado para os restaurantes e estabelecimentos gastronômicos

O dia 11 de agosto celebra o Dia do Garçom no Brasil. Profissionais que carregam a responsabilidade direta de orquestrar a experiência gastronômica do público. Em um cenário onde a agilidade a profissão mantém sua essência enquanto adapta-se à alta demanda contemporânea.
Em Apucarana (PR), há alguns anos atrás, a data era considerada praticamente um feriado para os restaurantes e estabelecimentos gastronômicos da cidade.
“Todo dia 11 de agosto era feita uma grande confraternização em homenagem aos garçons. Isso foi entre os anos 1970, 1980 e início da década 1990. Foi a ‘época de ouro’ dos restaurantes da cidade”, lembra o empresário Marcelo Alves de Oliveira.
“Apucarana tem grandes profissionais que serviram em locais memoráveis como o Kamaleão, a Cogumellu's, a Societtá..”, lembra.
Referências da cidade
Dentre os profissionais que se tornaram referência no ramo, o TNOnline conversou com alguns que marcaram época e ainda seguem na atividade.
Muitos são rostos bastante conhecidos dos estabelecimentos gastronômicos de alto padrão em Apucarana.
Ary: “A gente aprendeu com os pioneiros”
Arilson Evaristo, o Ary, começou a trabalhar como garçom em 1986, no Buffet Lan Castre, e passou por alguns dos restaurantes que marcaram a gastronomia de Apucarana, como Galeteria Soberano, Societtá, Chopinzinho, Pópido e Monte Carlo. Também trabalhou por 12 anos no Buffet Balaiuai, em Maringá, antes de encerrar essa trajetória na Churrascaria Brazão de Fogo.

Ao falar dos profissionais que fizeram história na cidade, Ary cita colegas de diferentes gerações. Entre os nomes estão Luiz, Fábio, Fernando, conhecido como “Fernando Narigudo”, Sargento e a garçonete Geize. “O Luiz é um excelente profissional, não só como profissional, mas como pessoa. É um cara que eu já trabalhei com ele também e conheço muito bem o caráter dele”, afirma.
Ary também destaca profissionais que seguem na atividade e acumularam diferentes funções dentro da gastronomia. “O Sargento é um cara fora de série, não só como churrasqueiro, como passador de carne e garçom. Ele é pizzaiolo também”, conta. Sobre Geise, lembra: “É uma amiga fora de série, uma menina trabalhadora e esforçada”.
A memória de Ary também passa pelos pioneiros da profissão em Apucarana. Ele cita nomes como Simonal, Seu Geraldo, Vagnão, Tio Braulio, Índio, Bolivar, Nelson e outros profissionais que, segundo ele, ensinaram gerações de trabalhadores. “O Seu Geraldo e o Simonal foram alguns dos primeiros garçons que tivemos aqui na noite. Essa turma dos velhos são os pioneiros”, afirma. “Se eu falar para você, não dá um podcast, dá um livro”, brinca sobre as histórias acumuladas ao longo de décadas.
Wander: “Essa profissão foi muito grata para mim”
Wandercley Vitor de Souza começou a trabalhar como garçom ainda jovem, depois de uma passagem pelo Exército. Sua trajetória teve início no Scorpions e, posteriormente, no restaurante Camaleão, onde trabalhou com Van Wilson de Oliveira Álvares. Depois, passou um período em Curitiba, onde fez cursos, e retornou a Apucarana para continuar no Camaleão.
Ao longo da carreira, Wandercley trabalhou em estabelecimentos como Kamaleão, Societtá e Cogumellos e atendeu gerações de clientes. Ele também levou a profissão para Balneário Camboriú, onde reencontrou alguns dos clientes que conhecia de Apucarana.

“Essa profissão foi muito grata para mim, porque criei meus filhos com o suor desse trabalho”, afirma. Hoje, no Restaurante Simões, ele atua como garçom e churrasqueiro. “Eu ensinei muita gente a trabalhar também e estou aqui hoje novamente na cidade. Eu agradeço muito a Deus por ter tido uma profissão boa e digna.”
Entre as histórias que guarda da profissão, Wandercley também lembra de ter servido o cantor Gonzaguinha, antes da morte do artista. “Aquele show aqui foi outra noite e ele se acidentou. Foi uma perda e tanto”, recorda.
Helinho: o garçom do presidente e do Faustão
Hélio Pereira de Souza, conhecido como Helinho, começou na profissão em 14 de janeiro de 1981, no Apucarana Palace Hotel. A primeira função foi a de copeiro, mas, uma semana depois, já estava trabalhando no salão de paletó e gravata. Mais de quatro décadas depois, ele continua ligado à gastronomia e atua como churrasqueiro em eventos.
“Comecei como copeiro e, uma semana depois, eu estava dentro de um salão de paletó e gravata”, recorda. Para Helinho, a profissão passou por mudanças ao longo dos anos. Ele lembra de uma época em que o garçom era reconhecido pela apresentação, pelo comportamento e pela forma de atender. “Era uma época em que o garçom tinha classe, respeito e educação. Eram garçons alinhados”, afirma.

Entre os profissionais que fizeram parte daquela geração, Helinho cita Simonal, Laurindo, Braulio, Zé, Stella, Melido, Dedé, Alfredo, conhecido como “Paraguaio”, e Simão, seu irmão. Alguns desses nomes, segundo ele, já morreram ou deixaram a atividade, enquanto outros continuam ligados à área de alguma maneira.
A carreira de Helinho passou por diferentes estabelecimentos de Apucarana. Além do Palace Hotel, ele trabalhou no Clube 28 de Janeiro, que mantinha restaurante sob o comando de Seu Odorico; na Varanda; na Lanchonete Martins; no Kamaleão, com o Du, pai de Marcelo; e na Cantina Martins, que ele considera uma das referências da gastronomia da cidade naquele período.
Também trabalhou no restaurante Haiti, onde atualmente ficam o Hotel e o Posto Matrix. Ele ainda lembra de outros estabelecimentos que fizeram parte da história gastronômica da cidade, como o Chapão Berté e a Lanchonete Casa Rosa.
Na Lanchonete Martins, Helinho recorda ter vivido uma situação que ficou marcada na memória. “Eu e meu irmão estávamos trabalhando lá quando chegaram Os Trapalhões, o Mussum e o Zacarias”, conta, citando a passagem dos artistas pelo estabelecimento.
Helinho também guarda lembranças das comemorações do Dia do Garçom, que, segundo ele, tinham participação de restaurantes, empresários e profissionais da cidade. A data era marcada por confraternizações e distribuição de brindes.
“Era uma festa muito boa, muito grande. Era onde reunia o bom pessoal”, recorda.
Para Helinho, aquele período representava um momento de valorização da profissão. “Hoje você não vê mais isso”, afirma. A lembrança é acompanhada pela vontade de reviver aquela época. “Se eu pudesse voltar a 1983, eu congelaria o tempo e viveria permanentemente naquilo lá, porque era a época do auge, a época boa.”
Ele também atendeu grandes personalidades de passagem por Apucarana . Entre os nomes que lembra estão os cantores Sérgio Reis e Jair Rodrigues, o ex-jogador Branco, que atuou pela Seleção Brasileira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além de Faustão, Galvão Bueno e Gretchen.
“Passaram por mim vários famosos, vários artistas”, conta.
Ao olhar para a própria trajetória, Helinho resume a passagem do tempo com uma frase que mistura humor e memória: “Eu não estou ficando velho, não. Estou ficando usado.” Para ele, porém, as lembranças permanecem ligadas a uma profissão que ajudou a sustentar sua família e que continua fazendo parte de sua vida.
Luís Cláudio: um profissional requisitado
Aos 57 anos, Luís Cláudio construiu uma trajetória de mais de quatro décadas atrás dos salões de restaurantes de Apucarana. Ele começou em 1985, na Pizzaiolla, depois de também ter servido no quartel. Desde então, passou por

Restaurante Pizzaiola, Kamaleão, Boate Societtá, Palmarys e Monte Carlo (atualmente). A experiência também o levou a trabalhar em Curitiba e Londrina, em casas de alto nível.
Luís resume a relação com a profissão de maneira direta: “Tem que estar fazendo o que gosta e eu gosto de ser garçom, amo essa profissão”. Para ele, trabalhar bem exige constância e disposição para atender cada cliente como uma nova oportunidade de demonstrar o que sabe fazer. “A profissão de garçom você tem que dar o seu melhor a cada dia”, afirma.
A história profissional de Luís se mistura à vida pessoal. Ele está casado com Sandra desde 1989. Ele a conheceu , claro, no trabalho, em um restaurante. Hoje, são 38 anos de relacionamento. Ele compara sua escolha pela profissão de garçom com a escolha de passar a vida ao lado de Sandra. “Foi uma escolha. A amizade é uma escolha, meu relacionamento é uma escolha. A Sandra é minha vida, o amor da minha vida. E ser garçom também foi a escolha da minha vida”, diz.
A mesma dedicação que levou para o trabalho esteve presente na criação do filho, hoje com 28 anos. Luís conta que conseguiu comprar um carro para ele com dinheiro conquistado trabalhando como garçom.
"Dei entrada em um carrinho para o meu filho, assim como o criei e sigo vivendo, tudo com a minha renda de garçom", orgulha-se.
Ao longo dos anos, ele acompanhou transformações no setor e também períodos difíceis, como a pandemia de Covid-19, que afetou diretamente restaurantes e profissionais da gastronomia. Mesmo diante das mudanças, Luís permaneceu ligado à atividade.
Entre as características que marcaram sua carreira está o contato com públicos diversos. Luís já atendeu artistas como Murilo Benício e Ana Hickmann, além de grandes empresários, milionários, donos de shopping centers e outras personalidades que passaram pelos restaurantes onde trabalhou.
Entre os clientes que guarda na memória está o cardiologista Francisco Gregori. São histórias que ajudam a dimensionar a variedade de pessoas que um garçom encontra ao longo da carreira.
"O Luis é um profissional muito acima da média, incrível mesmo. Aliás, é uma pessoa incrível tanto como profissional, quanto como ser humano. Um cara realmente diferenciado", declara Arilson Evaristo, o Ary.
"O Luis Claudio é um dos poucos expoentes daquela geração de ouro da gastronomia apucaranense que segue em atividade. Ele não é apenas um cara que leva e traz a comida e a bebida, é o verdadeiro garçom, que serve à la francesa, que faz do ofício uma arte", pontua Marcelo.
Para Luís, porém, existe uma regra que vale independentemente de quem esteja sentado à mesa. Para ele, o cliente tem razão sempre, por isso o atendimento tem que ser de excelência. “É o cliente quem paga o nosso salário", completa.
