Defesa Civil monitora 11 áreas de risco mapeadas em Apucarana
Sargento Rodrigo Leme orienta moradores sobre alagamentos, deslizamentos, vendavais e cuidados para evitar acidentes durante chuvas fortes
Apucarana tem onze áreas de risco mapeadas pela Defesa Civil onde residem quase 70 mil pessoas que estão expostas a impactos climáticos. Os locais incluem bairros no entorno de represas, parque, córregos urbanizados e áreas de grande declividade, sujeitas a alagamentos e deslizamentos. Os pontos passam por contínuo de trabalho de catalogação.
“Desde que eu assumi, nós começamos a catalogar essas áreas de risco. Então, não é uma situação que foi levantada agora por causa da chuva deste mês. É um trabalho que já vem sendo feito”, explica o coordenador da Defesa Civil de Apucarana, sargento Rodrigo Leme.
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Os locais foram identificados a partir das características de cada região e do histórico de ocorrências e situações de risco observadas ao longo do tempo. O objetivo é conhecer as áreas mais vulneráveis e estimar a população que pode ser afetada em caso de eventos de grande intensidade.
“O cenário de chuvas acima da média, no entanto, reforça a necessidade de atenção. A previsão era de aproximadamente 120 milímetros de chuva para todo o mês, mas Apucarana já registrou 150 milímetros até o dia 11”, destaca o sargento Leme.

Entre os locais identificados, a maior estimativa de população potencialmente exposta está na região da Rua Rio dos Patos, entre o Núcleo Habitacional João Paulo II e a Vila Capanema, onde cerca de 20 mil pessoas estão em uma área sujeita a deslizamentos.
O mesmo tipo de risco é apontado no Jardim América, no Núcleo Habitacional João Goulart e no Jardim Trabalhista, na região do Parque Japira (com estimativa de impacto em 6 mil pessoas). A Defesa Civil também monitora áreas passíveis de deslizamentos no Núcleo Habitacional Michel Soni, na região em frente a Escola Brasil Camargo (com cerca de 3 mil pessoas); na região do Residencial Osmar Guaracy Freire (com estimativa de 400 pessoas); e na Rua José Antônio Dante, no distrito de Pirapó (com uma pessoa na área mapeada).
O risco de inundação também é monitorado em pontos populosos da cidade. Na Represa Schmidt, entre os núcleos habitacionais Dom Romeu Alberti e Marcos Freire e o Jardim Marisol, a estimativa chega a 15 mil pessoas potencialmente expostas.
O mesmo número é apontado na região do cruzamento da Rua Humberto Contato com a Rua José Jorge, no Jardim das Flores. Já no encontro do Jardim Interlagos com o Jardim Veneza, são aproximadamente 9 mil pessoas na área sujeita a inundações.
Nos pontos classificados como sujeitos a alagamentos, estão a Avenida Minas Gerais, em frente ao Posto Brasil Sul 1, na Vila Nova, com estimativa de 1.500 pessoas; a Avenida Irati, próximo ao Complexo Esportivo Lagoão, com 150 pessoas; e a Rua José de Souza Falcão, onde cerca de 15 pessoas estão na área delimitada.
A Defesa Civil ressalta que os números são estimativas da população potencialmente exposta e não significam que esse contingente tenha sido atingido por desastres. Os dados servem para dimensionar o alcance que uma ocorrência de grande proporção pode ter em cada região.
Além das características geográficas, a ação humana pode agravar os problemas provocados pelas chuvas. O descarte irregular de lixo e entulho nas ruas compromete o escoamento da água e pode provocar o entupimento de bueiros e galerias pluviais.
Prioridade é preservar vidas
Leme também reforça que o papel da Defesa Civil vai além do atendimento aos danos materiais provocados pelas chuvas. Segundo ele, a prioridade do órgão é preservar vidas e reduzir os riscos antes e durante as ocorrências.
“A Defesa Civil não é assistencialismo. Se eu tiver uma telha disponível para ajudar uma pessoa que perdeu a cobertura, vou ajudar com o maior prazer. Mas a nossa prioridade é preservar vidas. Quando a gente chega em uma ocorrência, a primeira preocupação é salvar vidas, não preservar bens materiais”, explica Leme.
Por isso, em situações de risco, a orientação é que os moradores sigam as recomendações das equipes e não permaneçam em locais que possam oferecer perigo apenas para tentar proteger móveis, veículos ou outros pertences. A prevenção e a retirada das pessoas de áreas ameaçadas são consideradas prioridades no atendimento.
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Em uma ação recente de recolhimento realizada pela Prefeitura ao longo de apenas dez dias, as equipes retiraram das ruas móveis velhos, restos de materiais de construção e até um vaso sanitário. Quando levados pela água, esses materiais podem parar no sistema de drenagem e dificultar o escoamento, aumentando o risco de alagamentos.

“Não permitir que o lixo caia nas enxurradas, retirar restos de material de construção da frente das calçadas e evitar que esse material chegue às galerias e aos bueiros são medidas de preparação que cabem ao cidadão”, orienta Leme.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Apucarana não tem como principal característica o risco de grandes enchentes provocadas pela elevação dos rios. Por outro lado, o município pode registrar alagamentos rápidos, enxurradas e deslizamentos de terra durante períodos de chuva volumosa.
A topografia contribui para esse cenário. Áreas de declive e ravinas fazem com que a água ganhe velocidade ao percorrer as regiões mais baixas. O problema pode ser agravado pela impermeabilização do solo, provocada pelo asfalto, pelas calçadas e por construções, além da capacidade limitada das galerias pluviais durante pancadas muito fortes.
Como parte das ações permanentes de prevenção, a Prefeitura realiza a poda e a remoção preventiva de árvores que apresentam risco de queda, além da retirada de exemplares derrubados durante tempestades.

Os galhos e troncos recolhidos são reaproveitados como combustível para o sistema de aquecimento das piscinas públicas do Complexo Esportivo Lagoão e do Centro da Juventude.
Como se proteger
Durante tempestades fortes, a recomendação é procurar abrigo em uma estrutura segura e evitar locais abertos e a proximidade de árvores, postes e fios elétricos. Também não é recomendado atravessar ruas alagadas.
Caso uma rede elétrica caia sobre um veículo, os ocupantes devem permanecer dentro do carro e aguardar a chegada das equipes especializadas. Em imóveis atingidos por deslizamentos, a orientação é não retornar ao local para tentar recuperar objetos.
Os moradores podem receber alertas meteorológicos da Defesa Civil pelo celular. Para se cadastrar, basta enviar um SMS gratuito com o CEP da residência para o número 40199.
Em situações de emergência, os telefones são: Defesa Civil (199), Corpo de Bombeiros (193) e Guarda Civil Municipal (153).
Para o sargento Rodrigo Leme, a prevenção começa antes da chegada do temporal. “A sua maior proteção é a sua preparação anterior”, afirma.
