Criança morre após ser atacada por pit bull em Apucarana (PR)
Ataque ocorreu enquanto o menino de 8 anos brincava com o animal; Polícia Civil investiga o caso
TNOnline TV
Uma criança de 8 anos morreu nesta quinta-feira (24) após ser atacada por um cachorro da raça pit bull, no Residencial Viverti Apucarana, nas proximidades do Solo Sagrado, na região do Clube de Campo Água Azul, em Apucarana, no Norte do Paraná. O menino, identificado como Bryan Antônio da Cunha Lima, estava brincando com o animal, que pertencia à família, no quintal de casa no momento em que o ataque começou.
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Em uma tentativa de socorrer o menino e acessar o imóvel, o muro da residência chegou a ser derrubado por moradores vizinhos. O cão foi sacrificado pelos populares. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para prestar atendimento, mas a criança não resistiu.
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De acordo com o guarda municipal Antunes, que atendeu a ocorrência, a vítima estava no imóvel sem a supervisão de adultos. "Segundo informações, tinha mais duas crianças na residência. A mãe não estaria no local, trabalhando", relatou o agente de segurança.
Ao perceberem o ataque, vizinhos tentaram socorrer o menino. Para conseguir acesso ao interior da residência, os populares precisaram forçar a entrada, derrubando a estrutura da frente. "O muro ali está derrubado, o portão também está tirado. Então, provavelmente, foi ação dos moradores da região", explicou Antunes. O cachorro foi sacrificado pelas próprias testemunhas na tentativa de cessar as agressões.
Apesar do acionamento de equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o menino não resistiu aos ferimentos e foi encontrado já sem vida pelas autoridades. "A gente recebeu a informação de que um cachorro havia atacado uma criança aqui no bairro. Então, rapidamente, nós nos deslocamos até aqui e, ao chegar, nós já visualizamos a criança sem vida e o cachorro também", detalhou o GCM.
A reação do cão surpreendeu as pessoas próximas à família. Segundo a Guarda Municipal, a convivência com o animal costumava ser pacífica. "Relatos dos familiares indicam que o cachorro era aparentemente dócil e estava brincando com a criança. E do nada atacou", completou o guarda.
O local, situado nas proximidades do Solo Sagrado e da região do Clube de Campo Água Azul, foi isolado para a realização da perícia. A Polícia Científica e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados para recolher o corpo e dar andamento aos procedimentos legais cabíveis.
INVESTIGAÇÃO
A 17ª Subdivisão Policial (SPD), de Apucarana, abriu inquérito para apurar o caso. O foco da investigação busca esclarecer por que a criança estava na residência apenas na companhia de duas primas, de 13 e 5 anos, e se houve eventual omissão por parte dos adultos responsáveis.Segundo o delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana, Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, a família contava com o apoio de uma avó que mora nas proximidades e que havia sido designada como retaguarda caso as crianças precisassem de algo. A presença da adolescente de 13 anos como cuidadora e o distanciamento dos pais serão analisados.
"O fato de as crianças estarem sozinhas na residência vai ser averiguado com calma, até porque tinha uma adolescente na residência, que em tese estaria ali tomando conta das demais crianças", afirmou o delegado.
O ataque foi direcionado exclusivamente ao menino, deixando as outras duas meninas ilesas. A agressão do animal - que é uma cruza com pit bull, segundo o delegado - foi concentrada em áreas vitais da criança. "O ataque se deu basicamente na região do rosto. As lesões provavelmente que levaram a criança a óbito foram na parte do pescoço", detalhou.
A reação violenta do cachorro destoa do histórico de convivência na casa, segundo as primeiras apurações. Adotado ainda filhote, o animal havia se mudado para o endereço com a família há cerca de três meses e, de acordo com os levantamentos iniciais, tinha um comportamento dócil, dividindo o espaço com uma cadela menor e um gato. Os investigadores agora buscam entender se algum fator externo provocou o ataque.
"A gente está apurando agora se alguma coisa possa ter atiçado o animal, algum barulho, fogos, bomba, mas essas informações não foram confirmadas até o presente momento. Uma situação que a gente não pode ainda definir o que levou o animal a atacar a criança. Uma vez que, pelo que eu entendi, já havia um certo convívio entre as crianças e o cachorro", explicou o delegado.
O ataque só contido após a intervenção de vizinhos, que entraram no quintal para tentar salvar o menino. Durante o socorro, o pit bull avançou contra os moradores, o que gerou a necessidade de sacrificar o cão no próprio local para proteger a vizinhança e as equipes de resgate.
Com o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico Legal (IML), a Polícia Civil concentrará os próximos passos do inquérito na coleta de depoimentos. Apenas a oitiva formal de vizinhos, familiares e das pessoas que prestaram os primeiros socorros poderá fornecer os elementos informativos necessários para a conclusão do caso e a eventual responsabilização dos tutores. "Ainda é muito prematuro para afirmar qualquer tipo de situação. Só o inquérito policial e a oitiva dos vizinhos e familiares vão poder dar uma definição jurídica a respeito desses fatos", concluiu Marcus Felipe.
NOTA DE PESAR
O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota (União Brasil), e a diretora-presidente da Autarquia Municipal de Educação (AME), professora Ana Paula do Carmo Donato, manifestaram profundo pesar pelo falecimento de Bryan Antônio da Cunha Lima. Aluno do 3º ano A da Escola Municipal Senador Marcos de Barros Freire, o garoto foi atacado nesta quinta-feira (24/09) pelo cão da família e não resistiu aos ferimentos.
“Neste momento de profunda dor, o prefeito e a diretora-presidente expressam solidariedade aos pais, familiares e amigos de Bryan, bem como aos professores, servidores e colegas da comunidade escolar, que também sentem a perda do estudante. A Prefeitura de Apucarana e a Autarquia Municipal de Educação se unem à família e à comunidade escolar neste momento de luto, desejando força, conforto e amparo diante de uma perda tão dolorosa”, diz a nota conjunta de pesar.

