Corpo de Bombeiros alerta para alta de queimadas em Apucarana; vídeo
Tempo seco, ventos fortes e o fenômeno El Niño agravam os riscos de problemas respiratórios e danos materiais na região
O Corpo de Bombeiros de Apucarana utilizou a tribuna da Câmara Municipal na noite desta segunda-feira (24) para fazer um alerta urgente à população sobre o aumento dos incêndios ambientais. A participação ocorreu durante a sessão ordinária e focou na campanha "Agosto Cinza", mês marcado pela maior incidência de queimadas devido às condições climáticas severas, situação que deve ser agravada com a chegada do fenômeno El Niño.
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De acordo com o soldado Felipe Pieroli, o período entre agosto e outubro concentra a maior parte das ocorrências. A combinação de estiagem prolongada, redução da umidade do ar e ventos intensos cria o cenário perfeito para a rápida propagação das chamas. No entanto, o fator humano ainda é o principal causador dos desastres.
"A intenção do Corpo de Bombeiros com esse convite, com essa vinda, é justamente levar para a população uma ideia e tentar criar uma cultura de prevenção, que, a princípio, é a melhor opção que nós temos", destacou o soldado.
Pieroli explicou que atitudes cotidianas e infrações são o estopim para a maioria dos acionamentos na cidade. O descarte irregular de bitucas de cigarro em vegetação seca e, principalmente, a limpeza inadequada de lotes baldios lideram as causas. "É possível ver aqui em Apucarana que a maioria dos casos se iniciam justamente quando um morador tenta limpar um terreno. Se eu faço o uso do fogo, eu crio um risco de propagação de um incêndio, e isso acaba incidindo num risco ainda maior de danos materiais, danos pessoais, prejudicial à saúde de um modo geral".

Impactos na saúde e segurança
Além do risco de o fogo atingir residências e causar vítimas, inclusive fatais, a corporação alerta para o impacto direto na saúde pública. A baixa umidade somada à fumaça das queimadas lota as unidades de saúde. "Nós temos uma concentração maior de fumaça por conta dos incêndios ambientais, por conta da baixa umidade. Tudo isso favorece que os problemas de saúde relacionados a quadros respiratórios se intensifiquem", pontuou o bombeiro.
A preocupação da corporação é embasada em estatísticas. Segundo dados apresentados pelo soldado, o Paraná registrou mais de 11 mil casos de incêndios ambientais em 2024. No ano seguinte, houve uma queda para cerca de 9 mil ocorrências. Contudo, as projeções climáticas atuais exigem atenção redobrada.
"Considerando as estatísticas e as perspectivas relacionadas ao clima, provavelmente este ano teremos um período de estiagem mais acentuado. Isso implica numa propensão maior ao número de incêndios ambientais", alertou Pieroli, ressaltando que o Corpo de Bombeiros está preparado tecnicamente e estruturalmente para atuar 24 horas por dia.
Como agir e denunciar
A orientação oficial em caso de foco de incêndio com risco real de propagação é acionar imediatamente a corporação pelo telefone 193. O solicitante deve informar o local exato e as proporções da fumaça ou do fogo.
Para os incêndios de origem criminosa, a orientação é buscar os canais de denúncia, visando a responsabilização legal do infrator. O Corpo de Bombeiros atua diretamente no combate às chamas, mas o apoio da comunidade com informações íntegras é fundamental para coibir novos crimes ambientais.
