Conheça o cão universitário que tem três nomes e assiste as aulas em Apucarana
Perfil no Instagram criado por professora registra a rotina dos animais que vivem no campus da Unespar
Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline
Reprodução/Redes Sociais
Uma rede de proteção formada por professores, acadêmicos e funcionários da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de Apucarana (PR), tem transformado a rotina dos cães abandonados que circulam pela Instituição. Em julho de 2025, Fabiane de Oliveira Domingos, 45 anos, coordenadora do curso de Turismo e Negócios, criou a página "Reitoria Canina" no Instagram. Com quase 1.500 seguidores, o perfil monitora a saúde dos animais, registra suas rotinas e organiza arrecadações para gastos veterinários e de alimentação. “Eu me sinto muito realizada pelo trabalho que estamos desenvolvendo. É um trabalho coletivo, de estudantes, funcionários e professores. Virou uma rede de proteção muito legal e isso atinge a comunidade, porque têm muitos seguidores”, comentou a coordenadora.
LEIA MAIS: Atleta apucaranense de 10 anos quebra dois recordes paranaenses no atletismo
O principal personagem da rede foi batizado de Protocolo, conhecido também como “Reitor”, um cão peludinho, de aproximadamente sete anos, que Fabiane acredita que frequenta o campus desde antes da pandemia. O animal "assiste” a reuniões, palestras e aulas em diferentes cursos. “Ele parece um homenzinho, é a estrela do campus. Visita todos os setores, as salas de aula e participa de reuniões e palestras. Para você ter uma ideia, ele bate na porta para entrar. Aí, o pessoal fica me mandando fotos dele nos lugares”, disse a coordenadora. Assista ao vídeo do Protocolo no início da matéria.
Segundo Fabiane, o Protocolo passa o dia no campus, mas dorme na casa da fonoaudióloga Raissa Placidina, 32 anos, que fica do outro lado da Avenida Minas Gerais. “Todos os dias, ele vai embora para dormir na casa dela. Ela já o encontrou no sofá e até mesmo em cima da cama. Ele perambula em outros lugares também, já foi visto em uma academia e até mesmo na FAP [Faculdade do Paraná], assistindo a uma formatura”, afirmou.
Na casa de Raissa, Protocolo é conhecido como Sushi. Ele apareceu no local em abril de 2022 e nunca mais foi embora. De acordo com a fonoaudióloga, o cãozinho sabe exatamente os dias e horários que a Instituição está aberta. “Ele é muito inteligente. De manhã, não tem como segurar, ele morde se tentarmos prender porque ele quer ir para a Unespar. Aí chega em casa quase 11 horas da noite. No fim de semana, ele sabe que não tem aula e por isso não sai, fica aqui em casa”, explicou. “Na FAP, ele é conhecido como Félix. É um cachorro com três nomes e atende por todos eles”, acrescentou.
A outra personagem dessa rede de cuidados é conhecida como Cléo, a “Vice-Reitora”, uma cadela fiapo de manga branquinha. É ela que aparece no vídeo de uma câmera de segurança que registrou um assalto em fevereiro deste ano, nas dependências da Universidade. As imagens ganharam repercussão nacional na imprensa e mostram a cadela latindo e correndo atrás do suspeito e da vítima. “Eu disse que tinha que promover ela à segurança, dar um crachá’, comentou Fabiane.
Histórico de resgates e adoções
A mobilização entre professores, funcionários e acadêmicos já resultou em diversos atendimentos e destinos para animais que apareceram no campus. Panda, por exemplo, um cachorro preto e branco, foi encontrado na Unespar em 2025 e depois de um longo tratamento para cinomose ganhou um lar junto a uma colaboradora da Instituição. “Ele estava magro e cambaleando, dei ração e pensei que ia embora. Como não tinha condições de ver ele assim, tive que pegar o dinheiro da vaquinha que havíamos feito para realizar uma cirurgia no Protocolo para ajudar no seu tratamento. Nos primeiros dias, ele usava fralda, não andava e acabou sendo adotado por essa funcionária”, disse a coordenadora. Agora, o objetivo é arrecadar novamente esse montante para que o Protocolo consiga realizar o procedimento que visa tratar uma fratura na pelve, provavelmente resultado de um antigo atropelamento.
No último ano, uma fêmea e sua ninhada foram encontradas em uma tubulação de concreto. Por meio de divulgação em rede social, todos foram adotados. “A mãezinha foi levada para casa por uma funcionária que manda foto de lacinho”, disse Fabiane. Ela ainda complementou explicando que a alimentação dos animais é comprada em conjunto, por meio de vaquinhas. “Têm alguns cantinhos com caminha, ração e água. Os professores e estudantes também dividem o que comem com eles. O Protocolo, por exemplo, vou ter que aplicar Monjauro nele”, brincou.