Coletor de lixo de Apucarana (PR) faz sucesso na internet como influenciador
Conheça a história do 'Cabelinho', jovem de Apucarana que trabalha na coleta seletiva e criou personagem com itens recuperados do lixo
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Ele recolhe o lixo, mas o que entrega de volta para as ruas de Apucarana (PR) é pura alegria. Júlio Henrique Fabrício, 28 anos, é o rosto , a peruca e os óculos de sol por trás do "Cabelinho", o coletor de recicláveis que virou um fenômeno nas redes sociais. Trabalhando sob sol ou chuva, ele encontrou no bom humor uma saída para a rotina exaustiva e passou a gravar vídeos dançando e brincando na traseira do caminhão.
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O personagem se tornou conhecido após imagens viralizarem na Internet, seja do coletor trabalhando de forma inusitada ou até mesmo fantasiado, seja das brincadeiras que ele grava pela cidade afora e publica nas redes sociais.
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A magia do Cabelinho está justamente na sua origem, já que o figurino inteiro veio do descarte. Sem gastar um centavo, Júlio montou o visual do que ele brinca ser "o maloqueiro de Apucarana" usando apenas itens resgatados do lixo durante o expediente. Tudo começou em janeiro deste ano.
"Um dia eu achei uma peruca, outro dia eu achei o óculos. Fui no dia a dia levando, achando as coisas, e criei a ideia de fazer o personagem", conta.
O visual conta com um boné amarelo, um par de chinelos quadrados de borracha e uma "correntona" no pescoço — na verdade, uma guia de cachorro com um cadeado gigante. "A peruca também é da coleta, o mega hair. Não sei de quem que era, mas tô usando", diverte-se.
Ele até inventou uma tornozeleira eletrônica falsa com uma caixa de remédio vazia para, de brincadeira, dar pequenos sustos em quem passa na rua.
Por trás de toda essa resenha, existe uma realidade dura. As segundas e terças-feiras costumam ser os dias de maior volume na coleta seletiva, exigindo muito do corpo e da mente. Júlio conta que para não ser engolido pelo estresse que as brincadeiras nasceram.
"A gente acha sempre uma válvula de escape. Um dia a gente tá cantando, outro dia a gente corre gritando. O pessoal que vê a gente na rua sabe que a gente é bem doido mesmo", relata aos risos.
A tática funciona de verdade: "As crianças ficam encantadas, sempre pedem para tirar fotos", conta. Curiosamente, enquanto realizávamos essa entrevista, em frente ao ginásio de esportes Cebolão, no Jardim Ponta Grossa, um grupo de jovens que passava pela rua reconheceu o personagem e o abordou para cumprimentar e tirar foto. Veja abaixo.
Algo que também chama a atenção é o orgulho que o apucaranense tem da profissão. Júlio bate no peito para falar do seu ofício.
"Tenho bastante orgulho mesmo. Da gente estar naquela luta, naquele sol, na chuva, e mesmo assim se manter de pé. É um serviço que eu amo muito", afirma.
A vida dele, porém, não foi feita só de sorrisos. Criado pela avó, ele enfrentou a dor de perdê-la, tentou a vida em Santa Catarina e depois voltou para o Paraná. Hoje, casado e abraçado pela população, apegou-se à fé e deixa um recado simples para quem o acompanha: "Trabalhar honestamente. Pode demorar o tempo que for, não vai ser no nosso tempo, mas Deus honra". É com essa gratidão que ele segue carregando seu lema principal: do lixo ao luxo.