Chuva acima da média histórica abre buracos e dificulta manutenção de ruas em Apucarana
Com 178 mm registrados no mês, volume de água infiltra nas bases do pavimento e obriga prefeitura a aguardar tempo seco para avançar nos reparos

Apucarana já registrou 178 milímetros de chuva até terça-feira (13), ultrapassando a média histórica de 172,9 milímetros esperada para todo o mês de outubro, segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O excesso de umidade frequente tem multiplicado os buracos nas vias e dificultado os trabalhos de manutenção executados pela prefeitura, que depende de tréguas no clima para avançar com os reparos.
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De acordo com o secretário municipal de Obras, o engenheiro civil Mateus Franciscon Fernandes, o alto volume de precipitação se soma ao estado do pavimento, ao tráfego pesado e às características do solo argiloso da cidade para acelerar o surgimento de estragos. A situação se soma ao acumulado de setembro, mês em que o volume de chuva ficou cerca de 150% acima da média histórica. Ao comparar a estrutura viária à fundação de uma residência, Franciscon explica que “se a fundação é ruim, a casa trinca, o piso trinca. É a mesma coisa quando a gente fala do pavimento”.
A infiltração da água pelas fissuras existentes alcança as camadas inferiores da pavimentação, responsáveis por distribuir o peso dos veículos. No solo argiloso de Apucarana, a retenção de umidade reduz a capacidade de suporte da base. “Conforme entra a água nessas microfissuras, essas outras bases vão perdendo a rigidez”, afirma o secretário. Com a passagem contínua de carros, ônibus e caminhões, o pavimento cede até formar afundamentos e buracos, processo agravado em trechos que não foram dimensionados para a carga pesada que recebem atualmente.
Embora a Secretaria de Obras mantenha equipes para a manutenção da malha viária, a aplicação dos materiais exige condições climáticas favoráveis. A massa asfáltica fria, usada em intervenções pontuais, perde eficácia se aplicada em superfícies úmidas. “Para nós fazermos o tapa-buraco, a gente precisa do tempo favorável”, reforça Franciscon. Já o concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ) requer pista limpa, seca e controle severo de temperatura, pois o contato com o chão molhado resfria o material rapidamente e impede a compactação adequada. “Algumas atividades a gente não consegue fazer sob chuva”, ressalta.
Para além dos consertos emergenciais nos períodos de estiagem, o município aposta em ações preventivas, como a micropavimentação. A técnica aplica uma camada protetora sobre o asfalto para vedar trincas e impedir que a água alcance as camadas inferiores. “Ela tem essa função de blindar essas microfissuras, impedindo que a água entre nas trincas e atinja a base”, explica o secretário, citando que os serviços no Centro e nos bairros já contemplam quase 40 quilômetros de vias.
O recapeamento completo, embora utilizado em alguns trechos, é mais dispendioso e requer cuidados estruturais para não elevar a altura da rua em relação às calçadas, o que poderia comprometer a drenagem e causar alagamentos em imóveis. A prefeitura segue mapeando os trechos críticos para organizar os trabalhos e superar o problema assim que o clima permitir. “A Secretaria de Obras está mapeando tudo, e a gente pretende vencer essa situação”, conclui Franciscon.
