Caminhada do Meio-Dia mobiliza Apucarana contra o feminicídio
Ação reuniu poder público e forças de segurança para incentivar denúncias e fortalecer a rede de apoio municipal às vítimas
TNOnline TV
A 4ª edição da Caminhada do Meio-Dia reuniu um grande público em Apucarana (PR) nesta quarta-feira (22) para defender o fim da violência contra a mulher. O evento de combate ao feminicídio reuniu autoridades, representantes da rede de proteção e também a população em geral. O trajeto teve início na Praça Interventor Manoel Ribas (Praça do Redondo) e seguiu até o platô da Praça Rui Barbosa. Com participantes vestindo branco, a ação buscou conscientizar a população sobre a importância de combater diariamente a violência contra a mulher.
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A Caminhada do Meio-Dia integra um movimento que faz alusão ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A data, instituída pela Lei nº 19.873/2019, é uma homenagem à memória da advogada Tatiane Spitzner, vítima de feminicídio em 2018. Além de Apucarana, a mobilização aconteceu simultaneamente em 135 municípios paranaenses.
O foco central das autoridades durante o ato foi a quebra do silêncio e a desmistificação de que terceiros não devem intervir em casos de agressão. Em seu discurso, o prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota (União Brasil), enfatizou a postura do município diante dos casos de abuso, ressaltando a responsabilidade coletiva na proteção das vítimas.
"Apucarana é uma cidade que não combina, não tolera e não passa pano para nenhum tipo de violência", disse. Ele destacou a importância da população denunciar situações de violência doméstica e de gênero. "Eu vou começar usando um ditado popular, que diz que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Isso não é verdade, isso não existe mais, muito pelo contrário", afirmou.

Muitas vítimas não formalizam queixas por medo ou por desconhecimento sobre os primeiros passos a seguir. A delegada da Mulher, Luana Lopes, esteve presente na caminhada e fez um apelo para que as vítimas procurem ajuda antes que as agressões escalem, ressaltando o papel da Polícia Civil no acolhimento inicial.
"O combate à violência doméstica é uma responsabilidade de toda a sociedade. Mulheres em situação de violência, que não se calem. A gente nunca sabe quando aquele xingamento ou aquele empurrão pode evoluir para uma coisa mais grave. A delegacia está ali de portas abertas, que nós estamos prontos para conversar e dar uma instrução. Não necessariamente para instaurar um procedimento criminal, mas para conversar, conhecer essa mulher e entender o que ela precisa", diz.
A rede de apoio do município envolve 10 entidades e forças de segurança, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal e o Centro de Atendimento à Mulher (CAM). A Secretaria Municipal da Mulher e Assuntos da Família (SEMAF) oferece suporte que vai do apoio psicológico e jurídico até a capacitação profissional. A secretária municipal da Mulher, Karine Mota, destacou a necessidade de educar as novas gerações e de dar às mulheres as ferramentas para romper o ciclo de dependência.
"É desde criança que nós ensinamos os nossos homens a serem homens bons, de como se deve tratar uma mulher", diz. Ela citou os projetos da prefeitura em prol do empoderamento feminino. "Nós proporcionamos cursos de empreendedorismo e de segurança financeira para que elas possam se libertar", pontua.
Karine também explicou que o atendimento na Secretaria é totalmente sigiloso, garantindo a segurança de quem procura a rede. "O CAM é separado da nossa secretaria. Essas mulheres ficam separadas, é sigiloso e não precisa ter medo de entrar", pontuou.
Como denunciar
Denunciar é fundamental para salvar vidas e qualquer pessoa pode fazê-lo de maneira totalmente anônima.
- 190: Polícia Militar (para emergências e flagrantes)
- 153: Guarda Civil Municipal
- 180: Central de Atendimento à Mulher
Atendimento Presencial: As mulheres podem buscar orientação direta na Secretaria Municipal da Mulher e Assuntos da Família, localizada na Rua Professora Talita Bresolin, nº 520, em Apucarana.



















