Ataque de pit bull que matou criança em Apucarana chama atenção para cuidados na convivência com cães
Especialista orienta sobre prevenção de acidentes, socialização, identificação de comportamentos de risco e cuidados na convivência com cães

A morte de Bryan Antônio da Cunha Lima após ser atacado pelo cachorro da própria família, um pit bull mestiço, em Apucarana (PR), na última quinta-feira (24), chama a atenção para uma questão que vai além da raça do animal: como prevenir situações de risco e quais cuidados devem ser adotados na convivência entre cães e crianças.
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Bryan tinha oito anos e morreu depois de ser atacado no quintal de casa, no Residencial Viverti. Vizinhos tentaram entrar no imóvel para socorrê-lo e chegaram a derrubar parte do muro e o portão. O animal acabou sendo morto durante a tentativa de interromper o ataque. A Polícia Civil instaurou investigação para esclarecer as circunstâncias do caso.
Segundo relatos divulgados pelas autoridades, o cachorro tinha convivência com a família e era considerado aparentemente dócil. A investigação deverá esclarecer, entre outros pontos, se algum fator externo provocou o ataque. A Polícia Civil também informou que o bicho estava com a família desde filhote.
De acordo com o adestrador Fábio Ross, que atua há seis anos com comportamento e treinamento de cães, é possível ter uma boa convivência com os animais da raça pit bull, mas alguns cuidados precisam ser tomados, como ter uma rotina bem estabelecida para que alguns comportamentos de agressividade não apareçam. "É necessário suprir as necessidades básicas. A parte das atividades físicas (passeio, algo que ele gaste energia), a parte cognitiva (treinos de obediência, de proteção) e temos o principal, treinar o autocontrole do cão. É necessário que ele socialize desde cedo tanto com outros animais quanto com pessoas, mas isso não significa apenas ficar perto e sim que ele se controle quando estiver nestas situações", explicou.
A orientação também é observar o comportamento do cão desde a infância, verificar se ele apresenta algum comportamento mais agressivo que possa desenvolver com o tempo. Reações de posse em relação à comida, brinquedos, ossos ou objetos são situações que merecem atenção. "É necessário entender as necessidades dele e tentar identificar os seus comportamentos e não deixar passar. É uma raça que precisa de cuidados, orientação e que a pessoa consiga educar e ter controle sobre ele", disse Fábio.
Histórico da raça ajuda a entender o comportamento
Ao falar especificamente sobre pit bulls, Fábio destacou que a história de seleção desses cachorros está relacionada, em parte, às antigas rinhas de cães. Segundo ele, animais eram selecionados para confrontos com outros cães, o que pode ter contribuído para características relacionadas à disputa entre animais. "Como foi dando sequência nesse linhagem dos cães para lutar com outros cães, isso se tornou uma característica genética. De brigar com outros animais devido à seleção da rinha. Mas nem todo pit bull desenvolve esse comportamento, ele está dentro dele, pode ser que venha a ser desperta, pode ser que não", afirmou.
Isso, entretanto, não significa que todo cão identificado como pit bull vá apresentar agressividade contra pessoas. "O grande problema dessa raça é a mistura. Esses cães que são misturados têm um descontrole emocional um pouco maior que o puro, mas novamente não quer dizer que todos tenham", comentou o adestrador.
O que fazer durante um ataque?
Uma das situações mais perigosas é tentar separar um cão que está mordendo utilizando as próprias mãos. A proximidade com a cabeça do animal aumenta o risco de uma segunda mordida, desta vez em uma outra pessoa.
Fábio alerta que bater no cachorro durante uma agressão também pode aumentar a excitação do animal e não necessariamente fará com que ele solte a vítima. "Você bater no animal pode gerar o efeito contrário. Essa dor pode motivá-lo a agredir mais ainda. O pit bull é de agarra, você bate e ele não solta e ainda morde mais", explicou. Por isso, o recomendado é fazer uma asfixia mecânica utilizando uma corda ou um cinto no pescoço do cão. " Tem que tomar cuidado para não passar do ponto. Quando você vê que ele começa a amolecer, você precisa parar para não matar o animal", disse ele.
