Apucarana tem ainda 1,4 mil imóveis sem energia quase 72 após temporal
Copel concentra trabalhos de reconstrução da rede em áreas rurais de difícil acesso

Quase 72 horas após o temporal que devastou Apucarana, no Norte do Paraná, cerca de 1,4 mil unidades consumidoras continuavam sem energia elétrica no final da tarde desta quinta-feira (24). A tempestade, que atingiu o município às 19h15 da última segunda-feira (21), afetou mais de 21 mil moradores e deixou um rastro de destruição que levou a prefeitura a decretar situação de emergência.
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De acordo com o boletim mais recente da Copel, as equipes da concessionária enfrentam dificuldades logísticas, já que os atendimentos pendentes estão concentrados em áreas rurais e de difícil acesso. Os trabalhos exigem a substituição complexa de postes, transformadores e alimentadores que foram rompidos pela força dos ventos. Em todo o Paraná, a empresa ainda atua para restabelecer o serviço em 6,6 mil unidades, sendo a região Norte a mais afetada, concentrando quase metade das ocorrências. No auge da crise climática, 43 mil imóveis apucaranenses chegaram a ficar no escuro.
O balanço oficial divulgado pela Defesa Civil Estadual nesta quinta-feira detalha a dimensão do desastre em Apucarana. Além do colapso inicial de energia que paralisou o abastecimento de água em 70% do município por pelo menos 48 horas, o temporal danificou 5.000 residências. Cerca de mil pessoas seguem desalojadas e outras 20 estão desabrigadas. O cenário de calamidade mobilizou a distribuição emergencial de lonas e telhas pelos governos municipal e estadual, além de campanhas comunitárias de arrecadação. O decreto de emergência assinado pelo prefeito Rodolfo Mota na terça-feira (22) foi imediatamente homologado pelo governador em exercício, Darci Piana, que vistoriou a cidade.
A violência da tempestade chamou a atenção dos meteorologistas. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) descartou a formação de um tornado, confirmando que Apucarana foi atingida por um fenômeno conhecido como "downburst". As estações registraram rajadas de 124,9 km/h, provocadas por uma intensa e rápida corrente de ar que despencou da nuvem de tempestade e se espalhou lateralmente com grande força ao tocar o solo, derrubando mais de 70 postes e centenas de árvores de grande porte.
O clima extremo também castigou duramente outras cidades do Vale do Ivaí, que registraram vendavais, granizo e enxurradas. Em Califórnia, município que também declarou estado de emergência, 810 habitantes foram afetados e 200 residências sofreram avarias. A Defesa Civil contabiliza prejuízos expressivos ainda em Marilândia do Sul, com 101 casas danificadas, e em São Pedro do Ivaí, que somou 85 imóveis atingidos. Relatos de danos e moradores desalojados estendem-se por Ivaiporã, Mauá da Serra, Arapongas e Novo Itacolomi.
