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Acessibilidade ainda é desafio para cadeirantes em Apucarana

Morador de um bairro relativamente novo, Fabinho conta que as calçadas muitas vezes não cumprem sua função

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Todos os dias, o cadeirante Fábio Henrique de Souza, o Fabinho, sai de casa disposto a cumprir uma rotina comum para muitos jovens da sua idade em Apucarana. Aos 29 anos, ele frequenta a faculdade, procura oportunidades de trabalho, participa da vida social e sonha em construir uma carreira na área de turismo. Mas cada deslocamento exige muito mais esforço do que deveria.

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Cadeirante desde um acidente ferroviário ocorrido há 13 anos, Fabinho convive diariamente com obstáculos que vão muito além da limitação física. As barreiras estão espalhadas pela cidade: calçadas quebradas, rampas inadequadas, pontos sem acessibilidade, trechos sem estrutura para pedestres e dificuldades no transporte coletivo.

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"Não, não está preparada. A inclusão ainda está longe de acontecer", afirma ao ser questionado se Apucarana oferece autonomia para pessoas com deficiência.

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							Acessibilidade ainda é desafio para cadeirantes em Apucarana
AutorFabinho é cadeirante desde um acidente ferroviário ocorrido há 13 anos - Foto: Lis Kato/TNOnline

Morador de um bairro relativamente novo, o Residencial Sumatra, ele conta que as calçadas muitas vezes não cumprem sua função. Em muitos locais, carros ocupam o espaço destinado aos pedestres. Em outros, os desníveis e buracos tornam a circulação praticamente impossível. "O problema é que a calçada muitas vezes existe apenas para delimitar o terreno. Ela não foi pensada para acessibilidade."

A situação se repete no centro da cidade. Embora existam rampas de acesso, muitas delas foram construídas de forma inadequada. "Tem rampa que desce e sobe de novo. Virou praticamente um quebra-molas invertido."

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							Acessibilidade ainda é desafio para cadeirantes em Apucarana
AutorFoto: Lis Kato/TNOnline

A deficiência de Fabinho surgiu após um acidente na linha férrea, em uma região onde não havia passagem adequada para pedestres. "Eu estava atravessando a linha do trem e acabei sofrendo o acidente que me fez perder as duas pernas."

Mais de uma década depois, ele afirma que a situação continua preocupante. "Já aconteceram outros acidentes e até mortes depois da minha. Enquanto a mobilidade não receber atenção, isso vai continuar acontecendo."

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Se deslocar pela cidade utilizando ônibus é outro desafio.

Fabinho depende diariamente do transporte coletivo para estudar. Segundo ele, os novos veículos reduziram o número de vagas destinadas a cadeirantes. "Antes havia duas vagas. Agora os ônibus são menores e ficou apenas uma."


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  • Acessibilidade ainda é desafio para cadeirantes em Apucarana1 de 2
    Foto: Autor: Lis Kato/TNOnline
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    Foto: Autor: Lis Kato/TNOnline

O problema aparece principalmente nos horários de pico. Quando outro cadeirante já ocupa o espaço reservado, ele precisa aguardar o próximo ônibus ou tentar contato com a empresa para solicitar atendimento. "Já fiquei uma hora esperando para conseguir ir para a faculdade."

Em algumas situações, ele afirma ter interrompido o embarque para tentar chamar atenção para o problema. "Eu já parei um ônibus por meia hora tentando mostrar que a situação precisava ser vista."

Para ele, a redução das vagas ocorre justamente em um momento em que mais pessoas com deficiência estão conquistando autonomia e utilizando o transporte público. "A tendência é ter mais cadeirantes circulando pela cidade, mas agora temos menos espaço para eles dentro dos ônibus."

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Durante a gravação da reportagem, uma cena chamou atenção. Em determinado trecho, Fabinho optou por atravessar uma via movimentada fora da faixa de pedestres.

A decisão, segundo ele, não foi por imprudência. Foi uma adaptação.

A calçada apresentava tantos buracos e obstáculos que o risco de tombar da cadeira era maior do que percorrer alguns metros pela rua. "Eu escolhi um risco para ter mais mobilidade. A rua está em melhores condições do que a calçada."

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Faculdade e sonhos

Atualmente, Fabinho cursa Turismo e Negócios na Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Mesmo dentro do ambiente universitário, ele afirma que ainda existem dificuldades de acessibilidade. "Existe projeto, existe discussão, mas até agora não tivemos melhorias concretas."

Apesar das dificuldades, ele segue fazendo planos. Seu sonho é criar uma agência especializada em turismo acessível, ajudando pessoas com deficiência a viajarem com mais conforto e autonomia. "Gostaria de montar roteiros voltados para pessoas PCDs."

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Uma luta que não é só dos cadeirantes. Ao longo da entrevista, Fabinho faz questão de reforçar que acessibilidade não beneficia apenas pessoas com deficiência.

Segundo ele, calçadas adequadas, rampas e espaços acessíveis ajudam idosos, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida temporária e até trabalhadores que utilizam carrinhos ou equipamentos de transporte. "A acessibilidade é para todos."

Hoje, desempregado, ele continua buscando oportunidades profissionais enquanto enfrenta os desafios da mobilidade urbana.

Mas não abre mão de ocupar os espaços da cidade. "O acidente já tinha tirado muita coisa de mim. Eu não podia deixar ele tirar tudo."

Ao final, deixa uma mensagem simples e direta para autoridades e para a população."Empatia. As pessoas precisam enxergar essa realidade. Nós não somos invisíveis. Estamos aqui e precisamos de atenção."

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