Plenário do TSE decide nesta quinta-feira se valida eleição de Deltan Dallagnol ao Senado
Candidato do Novo foi eleito pelo Paraná com mais de 2,9 milhões de votos após obter decisão favorável na manhã da eleição

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta quinta-feira (8) o registro de candidatura de Deltan Dallagnol (Novo), decisão que definirá o futuro do seu mandato no Senado pelo Paraná. Eleito no último domingo (4) com 2.904.594 votos, o ex-procurador garantiu a segunda vaga do estado na Casa, ficando atrás apenas de Filipe Barros (PL). A confirmação de sua vitória, no entanto, depende do aval definitivo da Corte Eleitoral, que analisará o caso após uma sequência de decisões contraditórias nos dias que antecederam o pleito.
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A votação do político chegou ao dia da eleição cercada de incertezas jurídicas. Na véspera do pleito, o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo, indeferiu a candidatura de forma monocrática e determinou a anulação dos votos que fossem depositados em Dallagnol. Como as urnas já estavam preparadas e lacradas, o nome e o número do candidato permaneceram disponíveis para o eleitor. A reviravolta ocorreu na manhã de domingo, quando o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão individual. A medida garantiu que o registro voltasse a valer provisoriamente e que os votos fossem contabilizados na apuração oficial até o julgamento pelo colegiado.
O imbróglio que ameaça a nova eleição de Dallagnol tem origem em 2023, quando o próprio TSE cassou o seu mandato de deputado federal com base na Lei da Ficha Limpa. Naquela ocasião, os ministros entenderam que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal em novembro de 2021 com o objetivo de escapar de eventuais punições em procedimentos que tramitavam no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). A manobra resultou na aplicação de uma inelegibilidade de oito anos, com prazo de encerramento previsto apenas para novembro de 2029. Foi com base nessa jurisprudência recente que o relator Floriano de Azevedo Marques tentou barrar a nova tentativa eleitoral do ex-procurador.
Apesar do revés na instância superior, a candidatura ao Senado havia ganhado fôlego na Justiça local neste ano de 2026. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) chegou a deferir o registro de Dallagnol por um placar apertado de 4 votos a 3. A tese validada pelo tribunal regional, que é a mesma sustentada pela defesa do político e pela Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), argumenta que as apurações preliminares do CNMP nunca se converteram em processos disciplinares de fato. Segundo esse entendimento, a sanção de inelegibilidade imposta anteriormente não deveria atingir a participação do candidato nas eleições deste ano.
