Lula critica plataformas digitais e anuncia mudanças no governo
Presidente afirma que houve interferência de plataformas digitais na eleição e promete ampliar a participação popular nas decisões do governo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou neste domingo (25), após conquistar a reeleição, que pretende avançar na regulamentação das plataformas digitais no Brasil. Em seu primeiro pronunciamento depois da vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista acusou empresas de tecnologia de interferirem na disputa presidencial e afirmou que pretende modificar a comunicação do governo durante seu quarto mandato.
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A vitória de Lula foi confirmada matematicamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08, quando 97% das urnas estavam apuradas. Com 99,99% das seções totalizadas, o presidente registrava 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro. Aos 80 anos, Lula tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar quatro eleições presidenciais pelo voto direto.
Durante o discurso, o presidente afirmou que a campanha precisou enfrentar uma atuação externa por meio das plataformas digitais. Segundo ele, empresas que operam no ambiente virtual precisam estar sujeitas a regras e responsabilidades semelhantes às aplicadas a atividades fora da internet.
Lula também declarou que o resultado das urnas representou, em sua avaliação, uma derrota do negacionismo e da desinformação. Ao comentar a disputa eleitoral, fez críticas ao adversário Flávio Bolsonaro, a quem associou ao que chamou de "milicianismo", além de acusá-lo de disseminar mentiras durante a campanha.
Outro compromisso anunciado foi o desenvolvimento de uma inteligência artificial brasileira. O presidente afirmou ainda que pretende fortalecer os canais digitais de comunicação do governo e criar mecanismos para ampliar a participação da população nas decisões da administração federal.
Ao avaliar a estratégia utilizada na campanha, Lula agradeceu o trabalho de aliados, entre eles o deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pela coordenação do canal de WhatsApp denominado "Exército do Lula", que reuniu mais de 10 milhões de participantes.
O presidente reconheceu que a disputa eleitoral trouxe aprendizados e sinalizou mudanças na forma de administrar o país. A intenção, segundo ele, é estabelecer uma relação mais próxima com a população, utilizando especialmente as ferramentas digitais.
RELAÇÃO COM O CONGRESSO
Lula também comentou os desafios políticos que deverá enfrentar no próximo mandato, diante de um Congresso Nacional com presença expressiva de parlamentares alinhados a Flávio Bolsonaro.
O petista afirmou que respeitará a composição escolhida pelos eleitores e que pretende trabalhar com os deputados e senadores eleitos, independentemente das diferenças políticas.
Ao encerrar suas considerações sobre o futuro governo, Lula manifestou a expectativa de que o quarto mandato seja o melhor de sua trajetória na Presidência da República. O presidente completará 81 anos na próxima terça-feira (27).
