Equilíbrio das contas públicas será o maior desafio do próximo presidente, avalia economista
Especialista aponta que tanto Lula quanto Flávio enfrentarão dilema de gerar superávit primário sem comprometer promessas de campanha

O equilíbrio das contas públicas será o desafio fiscal central do próximo presidente da República, independente de quem for eleito no segundo turno das Eleições 2026 que ocorre neste domingo (25). É o que aponta o economista Leonardo Silva, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Apucarana (PR). Para ele, o controle de gastos é decisivo para a queda das taxas de juros e para a consequente estabilização da dívida pública brasileira.
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Embora descarte que o país esteja à beira de um precipício financeiro, o especialista ressalta que o mercado cobra a realização de um ajuste fiscal crível. Segundo o professor, mesmo com a melhora do resultado primário no atual mandato, o Brasil ainda enfrenta déficit e possui despesas e subsídios que impactam a sustentabilidade das contas no longo prazo. "Precisamos melhorar a dinâmica fiscal, gerar superávit primário, para, inclusive, proporcionar um ambiente mais propício para a redução da taxa básica de juros e reduzir incertezas", afirma Silva.
Esse cenário impõe obstáculos distintos e complexos aos principais candidatos ao Palácio do Planalto. Caso o presidente Lula (PT) seja reeleito, o maior desafio será promover o ajuste nas contas ao mesmo tempo em que mantém a sua bandeira histórica de melhoria dos indicadores sociais. O economista lembra que a atual gestão produziu resultados relevantes que demandam recursos, como a saída do Brasil do Mapa da Fome, o aumento real do salário mínimo, a ampliação da isenção do imposto de renda e o fim da escala de trabalho 6x1, exigindo cautela para não reverter os avanços na redução da desigualdade.
Por outro lado, se o senador Flávio Bolsonaro (PT) sair vencedor, o dilema será conciliar a forte pressão de seus apoiadores por um corte drástico de gastos, estimado em cerca de R$ 200 bilhões, com a sua promessa recente de não alterar as políticas públicas em vigor. O professor da Unespar adverte que um enxugamento dessa magnitude dificilmente seria alcançado apenas com a redução de ministérios, cortes de cargos comissionados ou despesas administrativas. "Em algum ponto, seria necessário rever subsídios, benefícios tributários, despesas obrigatórias, regras de reajuste ou o próprio ritmo e tamanho do ajuste", pondera.
Para além da matemática financeira exigida pelo mercado, o próximo governante precisará lidar com as urgências das ruas, que segundo o economista, se concentram na segurança pública e na estabilização do custo de vida. Silva explica que, por mais que a inflação tenha recuado em termos técnicos nos últimos anos, a população não sente essa melhora na prática porque os preços não voltam ao patamar antigo, apenas passam a subir em um ritmo menor. Dessa forma, a exigência social imediata é por preços mais previsíveis e por uma renda que seja capaz de acompanhar as despesas essenciais, somando-se à urgência de uma maior coordenação entre o governo federal e os estados para frear o avanço do crime organizado.
