Avanço da direita reflete domínio das redes sociais e antipetismo, diz cientista político
A análise é do professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Miguel Cenci

A força demonstrada pela direita nas últimas eleições no Brasil é reflexo do maior domínio das redes sociais pelos políticos conservadores, pela presença maciça desse grupo nas igrejas evangélicas e pela rejeição histórica à figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A análise é do professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Miguel Cenci. Segundo o especialista, o conservadorismo passou a ocupar espaços e utilizar ferramentas de comunicação que, no passado, eram dominadas pela esquerda.
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O PL terá a maior bancada no Congresso Nacional a partir de 2027. São 121 deputados federais e 19 senadores eleitos. O partido elegeu ainda cinco governadores, sendo três no sul do País. Além disso, o candidato da legenda, Flávio Bolsonaro, venceu o primeiro turno contra o presidente Lula e chega favorito ao segundo turno.
“A direita hoje faz o que a esquerda fazia antigamente. Você pode observar que tem uma intensa presença dessa extrema direita, por exemplo, em parte das igrejas evangélicas. Enquanto a Igreja Católica divulga diretrizes gerais para a escolha dos fiéis, em parte das igrejas evangélicas esse direcionamento eleitoral é escancarado”, assinala o professor.
Outro aspecto citado por Elve Cenci é o uso mais eficiente das redes sociais pela extrema direita. “Há um movimento muito forte de ocupação de espaços e de construção do discurso nas redes sociais, que é uma ferramenta nova que a esquerda não domina com a mesma habilidade”, pontua.
Um terceiro ponto citado pelo professor é a rejeição histórica a Lula e o antipetismo. Segundo Elve Cenci, esse combate à imagem do presidente é feito com muita intensidade desde o período de polarização com o PSDB. Segundo o analista, essa onda direitista que varreu o país teve sua origem em Aécio Neves, derrotado por Dilma Rousseff (PT0 em 2013. "Ele (Aécio Neves) pariu boa parte dessa extrema direita que estava latente na sociedade", analisa Cenci, referindo-se a episódios em que Aécio questionou o resultado das urnas, despertando um movimento dormente que mais tarde impulsionaria o impeachment de Dilma e culminaria na ascensão do próprio bolsonarismo.
A eleição também serviu como palco de revanche contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Para parte do eleitorado, a Corte impediu a continuidade do governo de Jair Bolsonaro (PL) e conteve os atos de 8 de janeiro. Assim, ataques institucionais ao STF transferem o desgaste político também ao governo federal, visto que a Corte atuou para garantir a legalidade democrática com a vitória de Lula.
Para o professor, o fortalecimento da direita no Congresso deve representar o avanço de pautas conservadoras e também a possível aprovação de pedidos de impeachment de ministros do STF.
