GFS inaugura em Apucarana fábrica de tecnologia em nutrição animal com patente 100% nacional
Empresa investiu R$ 55 milhões em inovações sustentáveis que reduzem a dependência de insumos importados
TNOnline TV
A Global Feed Soluções (GFS) inaugurou nesta quarta-feira (9) a sua nova unidade fabril no Parque Industrial Zona Norte, em Apucarana (PR). Com um investimento de R$ 55 milhões, a nova fábrica garantirá a ampliação da capacidade de produção do principal aditivo da empresa de biotecnologia para ração de aves, que que é um otimizador de cálcio e fósforo. A tecnologia inédita com “pegada de carbono” melhora o aproveitamento desses minerais pelo animal e reduz a necessidade da adição de fosfato na ração, com a consequente redução nas emissões de CO2.
A inovação substitui a fonte fóssil por uma molécula renovável. A redução das emissões ocorre pelo fato de o processo eliminar a extração de fósforo da natureza. Ao melhorar a absorção dos componentes minerais naturalmente encontrados na ração, a dieta com otimizador também garante melhor performance na conversão alimentar e consequente ganho de peso, com redução no custo da dieta nas cadeias de proteína animal. Estudos revelam uma economia entre R$ 20 e R$ 30 por tonelada de ração.

Para o CEO da GFS, Fernando Blini, o investimento em Apucarana reflete a busca da empresa por produtos com alta tecnologia. Segundo ele, a escolha da cidade atende às necessidades logísticas da GFS, garantindo mais agilidade e eficiência na recepção de matéria-prima, bem como na distribuição dos produtos aos principais estados produtores de carne e consumidores de ração animal no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.
"Estar em Apucarana significa para nós um ponto estratégico, muito logístico. Apucarana é um hub de rodovias, está próxima de dois grandes centros com aeroportos", afirma. Sobre o montante investido, Blini ressalta a inovação e os resultados alcançados. "Esses R$ 55 milhões foram revertidos em tecnologia, em muita pesquisa, muito desenvolvimento, em equipamentos, todas essas estruturas, para que nós possamos entregar na cadeia de proteína animal produtos com alta tecnologia". Segundo ele, esse investimento foi feito para atender não só localmente, mas globalmente todo o mercado de proteína animal.
Ele destaca os resultados do otimizador, o Polygrow, que melhora a absorção de cálcio e fósforo. "Isso diminui o consumo do fosfato bicálcico, uma fonte não renovável e cara, deixando de emitir toneladas de CO2 globalmente", assinala. O CEO projeta a ampliação da empresa, que já funciona na cidade desde 2021. “Formamos mão de obra local e já aumentamos em 35% o quadro de funcionários, com previsão de ampliar mais a partir de 2027”, assinala. Com a inauguração da nova unidade fabril, a capacidade de produção salta de 500 toneladas para 4,5 mil toneladas mensais.

A inovação tecnológica principal da GFS atua no trato digestivo dos animais, garantindo melhor performance com menor custo. Luciano Andriguetto, pesquisador da GFS e Ph.D. em Ciência Animal, detalha o funcionamento orgânico do Polygrow. "A tecnologia oferece a melhora da eficiência dos ingredientes da ração, usada nas formulações das diferentes espécies. Ela reduz a demanda de fonte de fósforo, aumenta a eficiência do animal em utilizar o que ele tem na dieta e, com isso, também reduz a excreção para o ambiente", explica o pesquisador.
Segundo ele, essa tecnologia atua na performance do animal, influenciando na qualidade da carne e dos ovos, reduzindo também os riscos de contaminação. A tecnologia é patenteada, com base em óleos ômega 3, 6 e 9 (insumo orgânico).
Do lado do poder público, a instalação da unidade impulsiona o desenvolvimento e a diversificação econômica local. O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, celebrou o impacto da fábrica no município. "Apucarana, que já tem a sua história fixada como polo de confecções, Capital Nacional do Boné, agora também se destaca no setor de nutrição animal e biofertilizantes e no setor de eletrometalmecânica", declara o prefeito.
O ineditismo da molécula e seus reflexos ambientais chamaram a atenção do Ministério da Agricultura e Pecuária. O superintendente do Mapa no Paraná, Almir Antônio Gnoatto, destacou a importância de aliar a produção em larga escala à responsabilidade ambiental. "Quero dizer da importância de ter esses produtos que usam a tecnologia, que são inovadores e ao mesmo tempo sustentáveis, porque o Brasil é um grande player de produção de alimentos", pontua Gnoatto.
Fechando a cadeia de segurança técnica do agronegócio, Cecília Thomaz Aquino, chefe da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) em Apucarana, reforçou o papel da fiscalização e do apoio estatal ao setor privado. "A importância é essa parceria público-privada. A gente sabe que só trabalhando junto, com essa união, a gente consegue elevar o setor produtivo cada vez mais longe, sempre com muita responsabilidade, com muita segurança", conclui.










