Escolha de Ratinho desidratou seu grupo

O governador Ratinho Junior tinha em sua mesa quatro nomes que poderiam ser candidatos à sua sucessão: Guto Silva, Alexandre Curi, Rafael Greca e Beto Preto, todos então filiados ao PSD. Convencido pelo seu marqueteiro argentino Jorge Gerez, deixou todos esses nomes de lado e apostou no então desconhecido deputado federal Sandro Alex, o “homem da infraestrutura”. O deputado estadual Alexandre Curi, alijado da disputa pelo governo, foi convencido a se candidatar ao Senado. O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, deixou o PSD para se filiar ao MDB, dizendo que nada o impediria de disputar o governo. Acabou vice de Sandro Alex. Já Guto Silva, deixado de lado por Ratinho, resolveu se afastar da política. E o deputado federal Beto Preto disputou a reeleição, acabando pela segunda vez como o mais votado de seu partido, o PSD.
Resumo da ópera: Ratinho, ao ouvir seu marqueteiro e outros comensais que o rodeiam em fins de semana, desidratou seu grupo político e deixou muitos candidatos a deputado estadual e federal do PSD sem mandato, por não fazerem os votos que imaginavam, puxados para baixo pelo péssimo desempenho do candidato do partido ao governo do Estado.
Ratinho perdeu o governo, não fez nenhum dos dois senadores e corre o risco de ver seu grupo político esfacelado inteiramente em 2028, com uma eleição que promete ser disputadíssima para prefeito de Curitiba.
Erro do marqueteiro
Ao apostar todas as suas fichas no marqueteiro argentino Jorge Gerez, o governador Ratinho Junior, mesmo com toda a sua experiência política, cometeu o grave erro de acreditar que bastaria sua grande aprovação popular para eleger qualquer um que indicasse como seu candidato para sucedê-lo no governo do Estado.
Transferência de votos é muito difícil, ainda mais quando se escolhe um nome desconhecido do grande eleitorado paranaense e que perdeu em sua própria cidade, Ponta Grossa.
Não elegeu o irmão
O desempenho de Sandro Alex foi tão ruim em sua cidade natal, Ponta Grossa, que além de perder para Sérgio Moro, o seu irmão, Marcelo Rangel, fez apenas 22 mil votos na cidade e, no cômputo geral no Estado, acabou suplente de deputado federal pelo PSD. Um desastre total.
Por sua vez, o ex-prefeito Jocelito Canto fez quase o triplo dos votos de Marcelo Rangel em Ponta Grossa e se credencia a disputar a Prefeitura em 2028, mesmo não se elegendo deputado federal.
Sem segundo turno
O Paraná completou 20 anos sem saber o que é segundo turno para eleger o governo do Estado. A última vez que houve um segundo turno foi em 2006, quando o então governador Requião disputava a reeleição e enfrentou Osmar Dias. De lá para cá, todos os governadores foram eleitos e reeleitos em primeiro turno: Beto Richa e Ratinho Junior.
A eleição do senador Sérgio Moro (PL) como governador no primeiro turno não quebrou o ciclo, e ainda derrotou a máquina pública estadual.
Rodolfo precisa repensar
O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, que declinou o apoio a Sandro Alex na primeira hora, deve ter ficado assustado com a votação de seu candidato na cidade, onde amargou um terceiro lugar, perdendo não só para o senador Sérgio Moro, como também para Requião Filho.
A carreata às vésperas da eleição organizada pelo alcaide, não deu o efeito esperado. Quem também não foi bem na cidade foi o deputado do Carmo, apesar de ter sua irmã como secretária de Educação.
Ex-governadores fora
As urnas não foram amigáveis com os ex-governadores Roberto Requião (PDT) e Beto Richa (PSDB). Os dois concorriam à Câmara dos Deputados.
A despeito de figurarem entre as lideranças mais conhecidas da política estadual, os votos recebidos nas urnas e os arranjos partidários não foram suficientes. Requião alcançou a marca de 79 mil votos. Já Beto Richa, que concorreu pelo PSDB, registrou 58 mil votos e não conseguiu se reeleger.
MARQUETEIRO TUPINIQUIM DERROTA MARQUETEIRO INTERNACIONAL
Ao contrário do argentino Jorge Gerez, contratado a peso de ouro pelo governador Ratinho Junior para trabalhar na candidatura de Sandro Alex, o marqueteiro de Sérgio Moro, o paranaense Marcelo Cattani, mostrou que sabe muito bem derrotar a família de Sandro Alex.
Já o tinha feito na eleição municipal de 2024, em Ponta Grossa, quando não só deu a vitória à prefeita Elizabeth Schmidt, como deixou o irmão de Sandro Alex, o atual deputado estadual Marcelo Rangel, comendo poeira: não foi sequer ao segundo turno na eleição municipal e terminou em quarto lugar na disputa.
De nada adianta um marqueteiro internacional contra um paranaense que conhece como ninguém o adversário, caso de Marcelo Cattani, que sai mais uma vez fortalecido das urnas.
Vapt Vupt
* A não eleição do ex-prefeito de Arapongas, Sérgio Onofre (PSD), como deputado estadual foi uma surpresa, já que todos contavam com ele como um dos eleitos de seu partido. Em contrapartida, seu conterrâneo, Pedro Paulo Bazana, também do PSD, se reelegeu deputado estadual. Sérgio esperava 30 mil votos em Arapongas, mas fez só 23 mil.
* Quem também saiu decepcionado das urnas foi o vereador apucaranense Lucas Leugi, que concorreu a deputado estadual pelo PSD. Para quem esperava fazer entre 15 mil e 20 mil votos, as urnas só revelaram 8,8 mil votos, praticamente o mesmo número alcançado pelo também vereador Dr. Odarlone, do PT, que igualmente concorria à estadual.
* O deputado federal Beto Preto se reelegeu como sendo o mais votado de seu partido, o PSD. Fez menos do que se poderia imaginar. A expectativa do grupo de Beto era superar 200 mil votos, chegou a 177 mil, puxado para baixo por conta do mau desempenho de seu candidato ao governo, Sandro Alex. Mas, assim mesmo, mostrou muita força.
* O deputado estadual Alexandre Curi, que tinha tudo para disputar o governo do Paraná e sair-se muito melhor do que Sandro Alex, acabou ouvindo o canto da sereia de Ratinho Junior: abriu mão de disputar o Palácio Iguaçu e saiu candidato ao Senado. Fosse ele candidato ao governo, pela votação que fez ao Senado teria levado a eleição para o segundo turno.
