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Autor Foto: Pixabay

Recentemente, assisti a um relato de um empresário frustrado. Depois de um processo seletivo criterioso, contratou um novo colaborador para seu escritório de contabilidade. Dias depois, a tal contratação se desfez. O motivo? O recém-contratado não conseguiu lidar com a política da empresa de proibição do uso de celulares durante o expediente. É isso mesmo. Um profissional se demitiu porque não podia passar o dia no celular. Se fosse uma anedota, não teria tanta graça.

O empresário compartilhou outro dado curioso: alguns candidatos vieram acompanhados pelos pais para a entrevista. Sim, adultos buscando uma vaga no mercado de trabalho necessitando de apoio moral materno ou paterno para responder perguntas básicas sobre sua própria capacitação. Quando esse tipo de história vem à tona, sempre há uma legião de defensores, normalmente composta pelos próprios pais desses jovens, justificando que o mundo mudou, que as regras precisam ser adaptadas à nova realidade e que proibir celulares no trabalho é um absurdo.

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Por outro lado, enquanto assistimos a esse tipo de cena tragicômica, sabemos que trabalhadores mais experientes, aqueles com 50 anos ou mais, enfrentam uma barreira quase intransponível para conseguirem emprego. Se, por um lado, a chamada Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) reclama de regras que consideram antiquadas, por outro, a Geração X (1965 a 1980) encontra portas fechadas simplesmente porque o mercado considera que já passaram da idade “ideal” para serem produtivos.

Muitos empreendedores que se deparam com a ineficiência dos mais jovens logo recorrem ao conselho clássico: “contrate pessoas da Geração X”. Afinal, elas possuem experiência, responsabilidade e maturidade para compreender a importância de regras no ambiente de trabalho. No entanto, a inserção desses profissionais em equipes predominantemente compostas por jovens da Geração Y (1981 a 1996) e Z pode gerar um choque inevitável.

E não se trata apenas de diferenças no modo de trabalhar. A realidade é que uma parte significativa das novas gerações não respeita os mais velhos. E nem é preciso fazer pesquisas extensas para comprovar esse fato. Basta passar alguns minutos observando vagas exclusivas para idosos em estacionamentos de supermercados para flagrar jovens “saudáveis” ocupando esses espaços sem o menor constrangimento. Recentemente, fiz esse exercício e presenciei uma jovem senhora, acompanhada de sua filha adolescente, estacionar na vaga de idosos e seguir para as compras. Também vi um casal jovem, vestido com roupas de academia cometer o mesmo ato infracional.

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Isso é apenas um retrato de um problema maior: o desrespeito generalizado pelas normas de convivência e, principalmente, a falta de respeito pelos mais velhos. Enquanto o etarismo impede que profissionais experientes se mantenham no mercado de trabalho, os mais jovens exigem que as empresas se moldem aos seus hábitos e conveniências. Esse paradoxo revela uma sociedade cada vez mais desconectada do que significa responsabilidade, empatia e civilidade.

Seria ingênuo acreditar que apenas normas e leis resolverão essa questão. De nada adianta um código formal se não há fiscalização e, mais importante, uma consciência coletiva de que o respeito precisa ser uma via de mão dupla. E enquanto as autoridades se mostram inertes diante dessa degradação comportamental, talvez seja o momento de usar as palavras de Benito di Paula: “seria muito bom, seria muito legal” se todas as gerações do alfabeto aprendessem, finalmente, a se respeitar mutuamente.


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