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Ineficiência e corrupção

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Ineficiência e corrupção
Autor Foto: Ilustrativa/Freepik

O debate público insiste em fabricar dicotomias artificiais. A mais recente vem de um agente político que afirmou que no serviço público “a ineficiência pode ser pior do que a corrupção”. A frase é sedutora, de fácil circulação e enorme apelo retórico. Mas ela carece de evidência empírica e ignora que, na prática, ineficiência e corrupção são fenômenos distintos e igualmente danosos para a sociedade.

Do ponto de vista analítico, comparar o impacto de um ato de corrupção com o impacto da ineficiência administrativa é exercício frágil. O que sabemos é que ambas produzem consequências graves. Se buscarmos dados, veremos que a corrupção tem números concretos associados. Segundo o Fórum Econômico Mundial, o custo global da corrupção atinge algo próximo de 5% do PIB mundial. Embora essa estimativa não seja recente, é aceitável, pois a percepção sobre a corrupção não diminuiu.

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De acordo com o Centro Global Anticorrupção de Infraestrutura (GIACC), os custos da corrupção não são apenas financeiros, são também humanos. Quando recursos são desviados, quando licitações fraudadas aumentam artificialmente preços e quando contratos superfaturados drenam o orçamento, os prejuízos aparecem nas filas de hospitais, nas salas de aula precárias, na falta de saneamento e no colapso de serviços básicos. Como resultado temos menos Estado onde ele deveria estar, mais custo onde não deveria existir.

O crime também impõe um ônus expressivo. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estimou que a violência e o crime consomem cerca de 3,4% do PIB na América Latina e no Caribe, com o Brasil entre os mais afetados da região. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou que o custo anual da violência corresponde a 5,9% do PIB, considerando gastos públicos, despesas privadas e perda de produção. Tais números demonstram que corrupção, violência e ineficiência fazem parte de um ecossistema de perdas que o país insiste em naturalizar.

Por isso, a Transparência Internacional publica anualmente o Índice de Percepção da Corrupção (IPC). No ranking de 2024, o Brasil ocupa a constrangedora 107ª posição, empatado com Argélia, Nepal, Tailândia e Turquia e atrás de países como Etiópia, Colômbia, Cuba e Albânia. Nenhum discurso romântico sobre o tamanho do Estado ou sobre reformas administrativas contorna este fato. Por isso a transparência nos gastos públicos é importante.

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Quanto à ineficiência, ela não é superior nem inferior à corrupção. Mas é igualmente nociva. A gestão pública ineficiente desperdiça recursos, cria distorções e entrega menos serviços à população. Ineficiência não tem manchete policial, não gera prisão nem causa escândalo em rede nacional. Mas opera silenciosamente, corroendo a credibilidade do Estado e gerando danos cumulativos e persistentes.

Em palestra recente, o Ministro do STF, André Mendonça, destacou a importância do concurso público como instrumento meritocrático para o ingresso no serviço público. Porém, destacou que o concurso não mede a vocação para servir. Quem passa em um concurso assume o dever de se tornar servidor, não apenas funcionário, porque servir à sociedade é função essencial.

O aumento da eficiência não nasce de discursos grandiosos, mas de uma construção cuidadosa no cotidiano, realizada por uma governança pública que acompanhe os serviços e as equipes, estabeleça metas claras, utilize dados com inteligência e crie mecanismos reais de controle, sempre aliada à verdadeira vocação de servir. Em última instância, o que importa é entregar resultados com competência, transparência e ética.

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