TNOnline

Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Blog Rogério Ribeiro

publicidade
BLOG ROGÉRIO RIBEIRO

Entre os dados e as decisões

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Entre os dados e as decisões
Autor Foto: Pixabay

Nos últimos anos, o ensino técnico profissionalizante passou a ocupar um espaço importante na agenda educacional e de desenvolvimento do país. No Paraná, o número de alunos matriculados nesses cursos cresceu 41,7% nos últimos dez anos. Em Apucarana, o avanço foi de 45,6% e em Arapongas ocorreu um expressivo aumento de 67,7%. Em contrapartida, Jandaia do Sul registrou uma redução de 15,1% no número de matrículas. Esses dados, por si só, já indicam um caminho que merece reflexão: não basta aumentar ou diminuir a oferta de vagas. É preciso qualificar esse crescimento com planejamento e coerência com a realidade econômica regional.

A ausência de um alinhamento entre os cursos técnicos ofertados e as reais demandas do mercado local tem um custo social, econômico e humano muito alto. Quando se formam dezenas ou centenas de jovens em áreas sem absorção regional, o resultado é a frustração de expectativas e a formação de um contingente de profissionais que, embora tecnicamente qualificados, acabam empurrados para funções que não exigem nenhuma qualificação. Esse descompasso perpetua o ciclo do subemprego, onde jovens com formação técnica passam a ocupar postos informais, com baixa remuneração, sem proteção social e longe de exercerem plenamente seu potencial produtivo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

O caso de municípios que ofertam cursos técnicos em áreas como turismo, informática ou eventos, sem qualquer estrutura local para absorver esses profissionais, é ilustrativo. Os egressos, sem oportunidades nas suas áreas, buscam vagas em centros urbanos maiores ou acabam aceitando empregos fora do perfil técnico adquirido. A cidade perde em produtividade, o jovem perde em motivação, e o Estado desperdiça recursos que poderiam ter sido direcionados com mais eficácia.

Mais grave ainda é o impacto disso no longo prazo. O jovem que se vê subempregado após anos de estudo técnico tende a desacreditar no valor da educação e a se distanciar de novos ciclos de qualificação. Esse afastamento provoca o enrijecimento da mobilidade social e reforça desigualdades históricas. O subemprego, quando reiterado, não é apenas um problema individual. É um sintoma de desfuncionalidade sistêmica que compromete a competitividade local.

E se há municípios, como Arapongas, que têm conseguido crescer alinhando formação técnica com vocações locais, como o setor moveleiro e de design industrial, há outros, como Jandaia do Sul, que, mesmo com potencial em áreas como agroindústria, biotecnologia e logística, não conseguem consolidar uma política consistente de formação de mão de obra. Isso mostra que o problema não está na ausência de demanda, mas na ausência de planejamento estratégico.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em países desenvolvidos, o ensino técnico é instrumento de política industrial. A Alemanha adota o sistema dual, integrando escola e empresa. O Japão direciona sua formação técnica para setores prioritários de sua economia. A Finlândia vincula a educação profissional aos ecossistemas regionais de inovação. Em todos esses casos, a formação de mão de obra é vista como elemento prioritário.

No Brasil, ainda precisamos abandonar a lógica da improvisação. Não basta oferecer cursos para preencher estatísticas. É necessário um pacto federativo que envolva municípios, estados, setor produtivo e instituições de ensino, voltado a mapear demandas regionais e prever tendências de mercado para definir o que e onde formar. Só assim romperemos com o ciclo do subemprego e daremos à juventude o que ela realmente precisa: trabalho digno, oportunidade e pertencimento.


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Blog Rogério Ribeiro

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV