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Entre o chão e o teto

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Entre o chão e o teto
Autor Um dos temas centrais dessa luta é a desigualdade salarial entre homens e mulheres - Foto: Reprodução/Pixabay

Recentemente, celebramos o Dia Internacional das Mulheres. E, de fato, há muito a se comemorar. As mulheres conquistaram espaço na sociedade, aumentaram sua participação no mercado de trabalho, avançaram na educação e ocupam, ainda que de forma desigual, postos de liderança. No entanto, como vi em uma postagem nas redes sociais, essa data não deve ser apenas festiva. Ela é um dia de luta, um dia político. E com isso concordo plenamente. A data marca uma histórica jornada de batalhas por direitos iguais, um movimento que está longe de ser concluído.

Um dos temas centrais dessa luta é a desigualdade salarial entre homens e mulheres. A teoria do capital humano de Gary Becker sugere que os salários devem ser determinados por fatores como escolaridade e experiência. Contudo, vários estudos demonstram que, mesmo controlando essas variáveis, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens. Esse fenômeno é explicado, em parte, por duas teorias: a do “teto de vidro” e a do “chão pegajoso”.

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O “teto de vidro” é uma barreira invisível que impede a ascensão das mulheres a cargos de liderança e maior remuneração. Mesmo quando possuem qualificação igual ou superior à dos homens, elas são preteridas nos postos de decisão. Já o “chão pegajoso” refere-se à dificuldade das mulheres em saírem de cargos de baixa remuneração, muitas vezes associados à economia do cuidado e às tarefas consideradas “femininas”, perpetuando sua desvantagem econômica.

Essa realidade é evidente nos dados do mercado de trabalho. Em recente estudo que fiz sobre os salários pagos no setor industrial do Paraná no ano de 2022, verificou-se que as mulheres ganham, em média, 18,2% menos do que os homens, variando conforme a região do estado. O estudo teve como base a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os números da nossa região confirmam essa tendência.

Em outro estudo que realizei especificamente sobre nossa região e para todos os setores da atividade econômica também se verificou discriminação salarial quanto ao gênero. Controlando as variáveis de escolaridade, horas contratadas, idade e tempo de trabalho constatou-se que as mulheres recebem menos que os homens. Em Apucarana, as mulheres recebem 7,72% menos que os homens, diferença que podemos atribuir à discriminação salarial de gênero. Em Arapongas a discriminação chega a alarmantes 12,48%. Em Ivaiporã e Jandaia do Sul, os percentuais de discriminação são de 9,04% e 9,92%, respectivamente. Mulheres, que exercem funções idênticas às dos homens e possuem a mesma qualificação, continuam recebendo menos.

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E como se corrige essa distorção histórica? Primeiro, é preciso que as empresas adotem práticas mais transparentes de remuneração e promoção, garantindo igualdade de oportunidades para mulheres e homens. Segundo, é necessário investir em políticas públicas que promovam maior equidade no mercado de trabalho, como fiscalização do cumprimento da legislação de igualdade salarial e incentivo à participação feminina em cargos de liderança. Terceiro, é fundamental que toda a sociedade se una a essa causa, combatendo estereótipos e cobrando mudanças efetivas.

O Dia Internacional das Mulheres deve, sim, ser comemorado, mas não somente como uma data para flores e elogios vazios. É um dia de reflexão e, mais do que isso, de ação. Se queremos uma sociedade justa e desenvolvida, precisamos lutar para que a igualdade de gênero no mercado de trabalho deixe de ser uma meta distante e se torne uma realidade concreta.

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