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Do hospital ao palanque

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Do hospital ao palanque
Autor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva após cirurgia no hospital Sírio-Libanês. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Lula sofreu um acidente doméstico, passou mal e precisou se submeter a um procedimento cirúrgico de urgência. Recebeu alta e, no mesmo dia, concedeu uma entrevista exclusiva que deveria ter como foco principal sua saúde, mas ele acabou extrapolando, como de costume. É praticamente impossível que agentes políticos tradicionais, como Lula, se limitem a tratar apenas de temas específicos. Mais uma vez, ele aproveitou a oportunidade para exaltar as medidas de seu governo e tecer críticas contundentes ao aumento dos juros promovido pelo Banco Central.

Como se não bastasse o excesso de presunção sobre a eficácia, eficiência e efetividade de seu governo, ele também criticou o mercado, afirmando que não é o mercado que deve se preocupar com os gastos do governo, mas sim o próprio governo. Esse outro discurso ácido do presidente tentava justificar o desequilíbrio nas contas públicas, ao sugerir que a preocupação deve ser dele e de mais ninguém.

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Pois bem, as coisas não são tão simples assim. Lula perdeu uma ótima oportunidade de se limitar ao tema da entrevista, sem se aventurar a explicar questões técnicas. Ele chegou a se vangloriar das condições em que entregou o governo à sua sucessora e prenunciou que fará o mesmo desta vez. Novamente: as coisas não são tão simples assim.

Embora ele tenha muita experiência política e de vida, e seja inegável que os governos Lula I e II terminaram com crescimento vigoroso e inflação controlada, o que ele não deixou claro é que essa condição não foi alcançada exclusivamente pelas políticas públicas de seu governo. Na verdade, ela foi impulsionada pelo boom das commodities, pela robustez das exportações e pelos grandes investimentos internacionais, motivados pelas condições conjunturais favoráveis da economia global, e não necessariamente pela ação efetiva do governo. Logo após o fim de seu segundo mandato, tivemos os efeitos da crise financeira internacional, que Lula minimizou chamando de “marola”, além do início dos impactos negativos do aumento dos gastos públicos.

O governo Lula III não teve a mesma sorte dos dois primeiros e não assumiu o país em condições tão favoráveis. Não há um novo boom das commodities, as contas públicas estão fortemente desequilibradas, e o governo federal “entregou” boa parte dos recursos orçamentários aos parlamentares por meio das emendas impositivas e discricionárias.

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Na narrativa de Lula, há uma tentativa de insinuar que o tal “mercado” é a união de capitalistas que querem se aproveitar do governo e dos mais necessitados. Trata-se de mais um ensaio de induzir as pessoas ao erro. O mercado nada mais é do que um conceito abstrato onde as forças de oferta e demanda interagem. Se a referência for ao mercado financeiro, então se está falando da interação entre as forças de oferta e demanda por produtos financeiros. O que ele não menciona é que os agentes econômicos que ofertam e demandam esses produtos são as pessoas, as empresas, o próprio governo e o setor externo, ou seja, todos.

Quando as expectativas em relação aos fundamentos da economia pioram, isso ocorre devido à redução da confiança de todos os agentes econômicos, e não apenas dos banqueiros que Lula tanto critica. É preciso haver transparência e maior equilíbrio nas posições públicas dos nossos agentes políticos. Não podemos mais assistir à deterioração da nossa economia sem questionar. Se as coisas não estão indo bem, a culpa não é do tal “mercado”, mas do governo, que permite que a situação se agrave sem agir de forma efetiva, eficiente e eficaz.

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