TNOnline

Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Blog Rogério Ribeiro

publicidade
BLOG ROGÉRIO RIBEIRO

A asfixia financeira municipal

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

A asfixia financeira municipal
Autor Foto: Pixabay

A recente Reforma Tributária promete simplificar o complexo sistema tributário brasileiro. No entanto, sob a promessa de eficiência e equidade, esconde-se uma ameaça silenciosa à autonomia financeira dos municípios de pequeno e médio porte, especialmente no que tange à transição do Imposto Sobre Serviços (ISS) para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O que está sendo vendido como solução pode se tornar em fator de paralisia fatal para esses municípios.

O ISS, tributo municipal sobre serviços, tem sido uma fonte vital de receita para os municípios, principalmente para os de médio e grande portes. Com a reforma, o ISS será gradualmente substituído pelo IBS, um imposto de competência compartilhada entre União, estados e municípios. A arrecadação do IBS será centralizada e distribuída conforme critérios estabelecidos por um Comitê Gestor, o que representa uma perda significativa de autonomia para os municípios.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

LEIA MAIS: O peso da reforma

Se estabeleceu o princípio do destino, onde o imposto é arrecadado no local de consumo do bem ou serviço, em vez do local de prestação, um embate histórico das coletorias municipais do destino com a inteligência fiscal das coletorias da origem. Essa mudança pode beneficiar municípios com maior consumo, geralmente os mais populosos e economicamente desenvolvidos, em detrimento daqueles que são centros prestadores de serviços, mas com menor população consumidora.

Durante o período de transição, que se estenderá até 2078, a distribuição da arrecadação do IBS entre os municípios será baseada, inicialmente, na média da arrecadação do ISS entre 2019 e 2026. Portanto, é fundamental que os municípios busquem incrementar suas receitas de ISS nesse período para garantir uma fatia mais significativa do IBS no futuro. E como eles pretendem fazer isso? É claro que não irão aumentar alíquotas. A saída é única, ou seja, melhorar a fiscalização através da ressignificação de seus auditores. Quem não fizer isso perderá receita e, consequentemente, a população terá redução dos serviços prestados pelas respectivas prefeituras.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Diante desse cenário, muitos municípios estão intensificando a fiscalização do ISS, visando aumentar a arrecadação e, consequentemente, melhorar sua posição na distribuição futura do IBS. A contratação de novos auditores fiscais, a criação de incentivos pecuniários para essa categoria e a implementação de tecnologias para monitoramento e conformidade tributária são estratégias adotadas por diversas administrações municipais. Porém, o prazo é muito curto e é quase certo que muito pouco conseguirão realizar. Com efeito, os municípios de pequeno e médio portes terão queda na receita de serviços.

Para mitigar os riscos associados à reforma, os municípios devem adotar estratégias proativas. Isso inclui a intensificação da fiscalização do ISS durante o período de transição, a diversificação das fontes de receita e a busca por maior eficiência na gestão dos recursos públicos. Também é fundamental que os municípios participem ativamente das discussões sobre a regulamentação do IBS, para garantir que seus interesses sejam considerados.

A reforma representa uma mudança estrutural no sistema tributário brasileiro, mas os impactos ainda são incertos. Embora a retórica oficial exalte objetivos como simplificação e maior equidade, é inegável que as especificidades e vulnerabilidades dos municípios de pequeno e médio porte têm sido deixadas de lado. A transição não pode ser à custa da autonomia dos municípios, nem colocar em risco a capacidade de manterem os serviços públicos essenciais que atendem a população.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Blog Rogério Ribeiro

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV