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Para onde foram os vaga-lumes e de onde vieram os escorpiões?

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Nas últimas semanas o principal tema na grande mídia foi o desastre natural que assolou o Estado do Rio Grande do Sul. O destaque (merecido e necessário) se dá pelo assombro diante da força da natureza ante a pequenez e incapacidade humana – nem sempre inconsciente – de lhe dar com as transformações desse novo mundo que agora chega.

Quando parei para refletir sobre o tema, caro leitor e leitora, pensando nas transformações que ao longo da minha vida pude perceber e, me deparei, com um fato inusitado: para onde foram os vaga-lumes? Quando eu era uma criança, os via aos montes pela noite, intrigado pela sua bioluminescência, como pequenas estrelas cadentes sem destino, subindo e descendo pelo céu. Hoje, minha filha mais velha, aos nove anos, ao ser indagada, afirmou que nunca os viu por aí, nenhum sequer. Ela conhece os vaga-lumes pelas aulas e desenhos, mas nunca teve a oportunidade de correr olhando para cima, tentando descobrir seus esconderijos.

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Assim como os vaga-lumes, lembrei-me dos insetos que enchiam os para-brisas dos carros pelas estradas, quando o impacto fulminante os acertava. Talvez você pensar, “que bom, temos carros mais limpos”, mas assim como o sumiço dos vaga-lumes, esses pequenos insetos, compostos por borboletas, moscas, libélulas e tantos outros, representam que algo em nosso planeta não está indo tão bem.

Não quero e nem pretendo aqui fazer um “Ode aos fins dos tempos”, mas se você, assim como eu, tem mais de 30 anos, sabe que o clima do planeta já não é o mesmo, verões com frios extremos e invernos com regatas, parece que o mundo enlouqueceu e talvez a culpa seja nossa. Regurgitar discursos contra o desmatamento, agronegócio e poluição do ar, seria o mesmo que buscar respostas óbvias e perguntas não tão simples. O mundo mudou, isso é um fato inegável, mas e nós?

Em meio ao desaparecimento dos vaga-lumes, temos epidemias de escorpiões, que muito mais adaptados a esse mundo inóspito das cidades, escondem-se entre fendas de concreto e pedra. Sua carapaça robusta encerrada com o ferrão venenoso, parece se adiantar ao que lhe espera. A dor intensa e até mesmo a morte causada por sua picada, demonstra que ele é muito menos gracioso que o brilhante vaga-lume, ainda que em sua cadeia alimentar estejam as baratas, que tanto incomodam as donas de casa.

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Em meio a tragédias como a que acontece no Rio Grande do Sul, vemos que alguns humanos agem como vaga-lumes, buscando levar luzes aos que necessitam na noite escura, guiando caminhos e salvando vidas. Porém, há também os escorpiões, que se adaptaram ao mundo cruel e o tornam pior, esgueirando-se pelos cantos, utilizando da dor do outro como autopromoção, atacando todos aqueles que considera inimigo. Discursos políticos são sempre necessários, ajuda humanitária é sempre bem-vinda, mas quando isso saiu do mundo real, de carne e osso, adaptando ao digital, tão e só ao mundo das fotos e vídeos, a dança do escorpião só tem um objetivo e não é o bem comum.

Temos que cuidar do planeta, não podemos ignorar os sinais de que a natureza nos manda. Entretanto, chegou a hora de cobrarmos dos que cuidam de nossos impostos que o dinheiro seja usado para uma real prevenção contra o que somos vulneráveis. É uma pena que minha filha não tenha visto um vagalume sequer, mas que o futuro permita que ela continue a procurá-los por aí, eles existem, não tem nome ou redes sociais, às vezes fardas ou barcos, mas fazem seu trabalho – ou missão – deixando a noite escura um pouco mais iluminada.

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